MUNDIAL 2026

Saiba tudo aqui
Mais sobre o Mundial 2026

Ucrânia apanhou dois chineses a combater pelos russos em Donetsk e diz que "há muitos mais"

CNN , Svitlana Vlasova e Lauren Kent
8 abr 2025, 22:19
Volodymyr Zelensky
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Volodymyr Zelensky garante que Kiev tem "informações de que há muito mais cidadãos chineses em unidades militares russas"

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, revelou que dois cidadãos chineses que lutavam juntamente com o exército russo foram capturados e feitos prisioneiros de guerra no leste da Ucrânia.

Zelensky acrescentou, esta terça-feira, que as forças ucranianas que combatem na região de Donetsk já têm em sua posse os documentos, cartões bancários e dados pessoais dos cidadãos chineses.

“Temos informações de que há muito mais cidadãos chineses nas unidades de ocupação russas do que apenas estes dois. Estamos agora a apurar todos os factos”, afirmou Zelensky numa mensagem publicada no Telegram. “Dei instruções ao ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia para contactar imediatamente Pequim e descobrir como é que a China vai reagir a esta situação.”

“O envolvimento da China nesta guerra na Europa, direta ou indiretamente, é um sinal claro de que Putin vai fazer tudo menos acabar com a guerra. Está à procura de formas de continuar a lutar”, argumentou Zelensky.

Não é claro se os cidadãos chineses que a Ucrânia diz ter capturado são soldados ou voluntários chineses. As autoridades ocidentais garantem à CNN que não viram “provas de patrocínio estatal” nos casos anteriores.

O presidente ucraniano apela também aos aliados nos Estados Unidos e na Europa para que protestem.

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, disse na terça-feira que Kiev convocou o encarregado de negócios de Pequim na Ucrânia “para condenar este facto e exigir uma explicação”.

“Esperamos que, depois desta situação, os americanos falem mais com os ucranianos e depois com os russos. E esperamos que o lado chinês também responda”, apontou Zelensky.

“Este é outro país que apoia militarmente a invasão da Ucrânia pela Rússia, ao lado da Rússia. É mais um depois do Irão e dos militares norte-coreanos”, acrescentou.

A CNN contactou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China e o Ministério da Defesa da Rússia para obter comentários.

O Ministério das Relações Exteriores da China disse nas redes sociais, em janeiro de 2024, que os seus cidadãos deveriam ficar longe de zonas de conflito, instando-os a “evitar o envolvimento em conflitos de qualquer forma - particularmente abstendo-se de participar de ações militares de qualquer parte”.

A China tem ajudado a Rússia a aumentar a sua base industrial de Defesa à medida que prossegue a sua guerra contra a Ucrânia, afirmaram altos funcionários da administração Biden à CNN no ano passado.

O apoio que a China forneceu inclui quantidades significativas de máquinas-ferramentas, motores de drones e tecnologia para mísseis de cruzeiro, microeletrônica e nitrocelulose, que a Rússia usa para fazer propelente para armas, explicaram as autoridades em abril de 2024.

Entretanto, a Rússia também reforçou consideravelmente as suas relações militares com a Coreia do Norte durante o último ano, com a assinatura de um acordo de defesa mútua e com Pyongyang a enviar as suas tropas para lutar por Moscovo na sua invasão da Ucrânia.

Em janeiro, as forças ucranianas que operam na região russa de Kursk capturaram dois soldados norte-coreanos.

Rússia recupera terreno na região de Kursk

Os ataques russos contra a Ucrânia nas últimas 24 horas mataram pelo menos três pessoas e feriram outras 19, de acordo com as autoridades ucranianas. Segundo as autoridades locais, a Rússia efetuou ataques nas regiões ucranianas de Dnipropetrovsk, Donetsk, Kharkiv e Kherson.

Na linha da frente, o Ministério da Defesa russo afirma, esta terça-feira, que retomou uma das últimas aldeias detidas pela Ucrânia na região de Kursk, meses depois de Kiev ter lançado uma incursão transfronteiriça surpresa.

“As Forças Armadas da Federação Russa continuam a derrotar as formações das Forças Armadas Ucranianas na região de Kursk. As unidades do grupo de forças do Norte libertaram a povoação de Guyevo na região de Kursk durante as operações ofensivas”, garante o Ministério da Defesa russo num comunicado.

O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um observatório de conflitos sediado nos EUA, afirmou numa atualização de segunda-feira que as forças russas avançaram recentemente em Kursk. O mapa da incursão do ISW mostra que as tropas ucranianas permanecem apenas em pequenas partes da região russa.

As tropas ucranianas ocupam parte da região de Kursk desde agosto de 2024, embora as forças russas tenham, desde então, recapturado grande parte do território.

Entretanto, um regimento ucraniano divulgou na terça-feira um vídeo que mostra ataques na região russa vizinha de Belgorod, um dia depois de Zelensky ter confirmado pela primeira vez na segunda-feira que as tropas do seu país têm estado ativas na região, procurando proteger as cidades ucranianas perto da fronteira.

O 225º regimento de assalto separado da Ucrânia disse que o vídeo mostra as suas forças a destruir duas pontes em Belgorod, nas aldeias de Grafovka e Nadezhevka. A CNN verificou que são esses os locais mostrados no vídeo.

“Seguiram-se as operações com drones e a limpeza do terreno”, diz o regimento num post no Telegram, confirmando a sua presença no terreno em território russo.

De acordo com o ISW, as forças ucranianas iniciaram ataques limitados na região de Belgorod, no noroeste da Rússia, em 18 de março, em áreas do outro lado da fronteira com a Ucrânia. O Ministério da Defesa russo afirmou anteriormente ter derrotado as tropas ucranianas que atacavam Belgorod.

Relacionados

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Europa

Mais Europa