Ucrânia anuncia retirada das suas forças de Lysychansk, o seu "ponto fraco"

Agência Lusa , FMC
3 jul, 20:22
Lysychansk (Administração Militar Regional de Lugansk/AP)

A “vontade e o patriotismo não são suficientes para o êxito” no combate com o exército russo, sendo necessários “recursos materiais e técnicos”, realçou o Estado Maior das Forças Armadas, num apelo indireto ao Ocidente para acelerar o fornecimento de armas a Kiev

A Ucrânia anunciou este domingo a retirada das suas forças da cidade de Lysychansk, o último reduto de Kiev na região oriental de Lugansk, pouco depois de Moscovo anunciar a ocupação daquela localidade.

“Depois de intensos combates por Lysychansk, as Forças Armadas da Ucrânia viram-se obrigadas a retirarem-se das suas posições e linhas ocupadas”, afirmou este domingo o Estado Maior das Forças Armadas, na sua conta na rede social Facebook.

Segundo o comunicado, a continuação dos combates pela defesa da cidade teria “consequências fatais”, face à vincada superioridade das forças ocupantes, quer em termos de artilharia, meios aéreos, sistemas de lançamento de mísseis, munições e pessoal.

“Para preservar a vida dos defensores ucranianos, tomou-se a decisão de se retirarem”, acrescentou.

A “vontade e o patriotismo não são suficientes para o êxito” no combate com o exército russo, sendo necessários “recursos materiais e técnicos”, realçou o Estado Maior das Forças Armadas, num apelo indireto ao Ocidente para acelerar o fornecimento de armas a Kiev.

Numa conferência de imprensa com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tinha recusado a ideia de que Lysychansk estava sob controlo russo, assegurando que os combates continuavam na periferia da cidade.

No entanto, na mesma declaração, Zelensky admitia que havia sérios riscos de a região de Lugansk ficar completamente controlada por forças russas e que Lysychansk era o “ponto fraco” da defesa ucraniana.

Ao ocupar Lysychansk, na zona leste da Ucrânia, o Kremlin passa a controlar toda a região do Lugansk, prevendo-se um intensificar de combates junto das cidades de Sloviansk e Kramatorsk, duas importantes localidades controladas pela Ucrânia na zona industrial do Donbass (leste ucraniano).

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