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Ucrânia acelerou na inteligência artificial para pôr os drones a ver, escolher e atacar

19 abr, 19:10
Drones na Ucrânia (Yevhen Titov/AP)

A Ucrânia está a construir uma nova camada tecnológica para a guerra: drones com visão artificial, centros militares de inovação e modelos de inteligência artificial treinados com dados reais da frente. Segundo o Ministério da Defesa ucraniano, mais de 200 empresas trabalham já em tecnologias de drones com IA

A guerra também se mede agora na velocidade com que uma máquina reconhece um alvo, distingue uma sombra de um veículo camuflado ou mantém a rota quando o sinal falha. É nesse campo, menos visível do que a artilharia mas cada vez mais decisivo, que a Ucrânia está a tentar ganhar tempo à Rússia.

O Ministério da Defesa ucraniano anunciou que mais de 200 empresas estão envolvidas no desenvolvimento de drones com inteligência artificial e que a plataforma Brave1, criada para aproximar Estado, militares, investidores e indústria tecnológica, tem já mais de 300 projetos ligados à IA. Mais de 70 sistemas baseados em inteligência artificial e visão computacional estão, segundo Kiev, em uso ativo no campo de batalha.

A ambição é simples de formular e difícil de executar: equipar todos os drones enviados para a frente com capacidades de visão artificial e inteligência artificial. Na prática, isso significa aparelhos capazes de ajudar na identificação autónoma de alvos, na deteção de equipamento e militares russos camuflados, no funcionamento de posições de tiro automatizadas e na análise de dados recolhidos por sistemas como o Delta.

A estratégia passa também por uma rede de centros tecnológicos militares dedicados às áreas que mais pesam na guerra moderna: drones, ataques de médio alcance, ataques em profundidade, robôs terrestres e artilharia. O primeiro desses centros, o Defense AI Center “A1”, deverá desenvolver soluções para operações no terreno e para tornar mais rápidos os processos internos das Forças Armadas e da indústria de defesa.

“Temos de ser mais rápidos do que o inimigo em todas as etapas”, defendeu o ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, para quem a vantagem tecnológica se tornou uma condição de sobrevivência na guerra.

Parte dessa corrida faz-se com dados. Através da Brave1 Dataroom, a Ucrânia está a treinar modelos de inteligência artificial com informação recolhida em combate, em diferentes condições de terreno, clima, luz e sensores. A ideia é transformar a experiência da frente em sistemas que reconheçam padrões, antecipem movimentos e reduzam o tempo entre a deteção e a resposta.

Kiev está também a abrir essa frente tecnológica a empresas estrangeiras. Plataformas como a Avengers Labs e a Test in Ukraine permitem que companhias de fora treinem modelos com dados de guerra e testem soluções em condições reais de combate, uma vantagem rara num setor em que quase tudo costuma ser experimentado longe da linha da frente.

A cooperação começa a ganhar forma política. A 14 de abril, a Ucrânia assinou com a Alemanha o primeiro acordo para troca de dados de defesa e desenvolvimento conjunto de projetos de tecnologia militar. Para Kiev, não se trata apenas de produzir mais drones. Trata-se de fazer com que cada drone veja melhor, decida mais depressa e obrigue o inimigo a correr atrás.

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