Tupolev-22 M3, Tupolev-95 e o Beriev A-50: as aeronaves russas destruídas pela Ucrânia e os seus nomes de código na NATO

1 jun 2025, 19:38
Tupolev-95

Três aeronaves distintas que espelham o pico da engenharia humana. Um bombardeiro supersónico e um bombardeiro a hélices capazes de transportar ogivas nucleares. E uma aeronave alerta aéreo antecipado e controlo

A Operação Pavutyna (teia) dos serviços secretos da Ucrânia, SBU, foi um sucesso e terminou com mais 40 bombardeiros russos destruídos. Pela análise das imagens captadas pelos drones ucranianos foi possível identificar algumas das aeronaves que estavam paradas nas bases aéreas russas atingidas.

A Sky News identifica pelo menos três tipos de aeronaves que estavam entre os alvos da operação secreta de Kiev.

Tupolev-22 M3

O Tupolev-22 M3 é um bombardeiro estratégico supersónico de long o alcance desenvolvido pela União Soviética e ainda permanece em operação na Força Aérea da Rússia. Esta aeronave também é conhecida pelo nome de código da NATO "Backfire-C".

Bombardeiro Tu-22 M3 (fonte: Tupolev)

O Tu-22 M3 tem uma velocidade máxima de 1,88 Mach, cerca de 2.000 km/h e tem uma autonomia de 7 mil quilómetros, podendo ser reabastecido no ar.

Esta aeronave pode transportar até 24 toneladas de armamento, sendo que usualmente tende a transportar mísseis cruzeiro Kh-22 ou Kh-32 – capazes de atingir alvos navais ou terrestres a longo alcance, bombas convencionais ou nucleares e mísseis hipersónicos.

Este tipo de bombardeiro é essencialmente utilizado para realizar ataques estratégicos, em missões antinavio, bombardeamentos convencionais e como arma de dissuasão nuclear.

Tupolev-95

O Tupolev-95 é um bombardeiro estratégico de longo alcance movido a hélices desenvolvido pela União Soviética nos anos 1950 e que ainda está presente na Força Aérea da Rússia. Esta aeronave também é conhecida pelo nome de código da NATO "Bear".

Bombardeiro Tu-95 (fonte: Tupolev)

Apesar da idade, esta é uma aeronave que se continua a destacar pela autonomia e capacidade de carga acima da média.

O Tupolev-95 tem uma velocidade máxima de 925 km/h e tem uma autonomia de 15 mil quilómetros, podendo ser reabastecido no ar.

Este bombardeiro pode transportar até 15 toneladas de armamento, sendo que usualmente tende a transportar mísseis cruzeiro Kh-55 ou Kh-101/102 armados com bombas convencionais ou nucleares.

Em regra-geral, o Tupolev-95 é utilizado para realizar patrulhas estratégicas de longo alcance, lançamento de mísseis de cruzeiro, missões de reconhecimento e em ações de guerra eletrónica ou de dissuasão nuclear.

O Tu-95 destaca-se ainda por ser o único bombardeiro estratégico com propulsão através de hélices ainda em operação no mundo, algo que só é possível graças aos motores turbopropulsores Kuznetsov NK-12, dos mais potentes já construídos pelo homem.

Beriev A-50

O Beriev A-50ao contrário dos bombardeiros como o Tu-22M3 ou o Tu-95 não é uma aeronave de combate ofensivo, é uma aeronave de alerta aéreo antecipado e controlo desenvolvida pela União Soviética e que ainda está presente na Força Aérea da Rússia. Esta aeronave também é conhecida pelo nome de código da NATO " Mainstay".

Beriev A-50 (AP)

O Kremlin utiliza o A-50 sobretudo para pelo seu papel crucial na vigilância aérea e na coordenação de operações militares.

O Beriev A-50 tem uma velocidade máxima de 800 km/h e tem uma autonomia entre 5 e 7 mil quilómetros, podendo ser reabastecido no ar.

Este bombardeiro pode transportar até 15 pessoas – incluindo operadores de radar e comunicações – e tem a capacidade de detetar 150 alvos em simultâneo num raio 400 quilómetros para alvos aéreos e 300 quilómetros para alvos terrestres.

Em regra-geral, o Beriev A-50 é utilizado para realizar deteção antecipada de aeronaves inimigas, controlo aéreo, gestão do espaço aéreo em operações militares, monitorização de mísseis balísticos e cruzeiro; e coordenação de defesa aérea.

Operação “Pavutyna”

Ao 1.193.º dia desde o início da invasão russa, a Ucrânia levou a cabo um dos seus maiores ataques até ao momento. A operação está a ser nominada de “Pavutyna” (teia de aranha) e dizimou um total de 41 bombardeiros estratégicos russos, capazes de transportar ogivas nucleares.

 Ao jornal Politico, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) – as secretas ucranianas – explicam que lançaram enxames de drones contra quatro bases aéreas russas este domingo e confirma a destruição dos 41 bombardeiros, o representa perto de 30% do arsenal russo deste tipo de aeronaves.

“Os aviões militares russos estão neste momento a arder nas bases aéreas de Belaya, Diaghilev, Olenya e Ivanovo", disse ao Politico um membro do SBU, sob condição de anonimato.

Um membro do governo ucraniano, não identificado, confirmou à Reuters que Kiev não informou Washington que ia avançar com a Operação Pavutyna.

O ataque realizado pelos serviços secretos da Ucrânia, SBU, destruiu 41 bombardeiros estratégicos russos com capacidade de transportar ogivas nucleares.

À CBS News, um membro da administração Trump confirmou que a Casa Branca não tinha "conhecimento sobre o ataque de larga escala com drones da Ucrânia contra aeronaves russas".

O ministério da Defesa da Rússia confirmou que Ucrânia efetuou um "ataque terrorista" nas regiões de Murmansk, Irkutsk, Ivanovo, Ryazan e Amur, lançando drones contra os aeródromos locais. 

O Kremlin diz ainda que alguns responsáveis foram encontrados e detidos. Vários aviões incendiaram-se e ficaram queimados na sequência do ataque, aponta Moscovo sem precisar o número ou o tipo de aeronaves neutralizadas. 

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