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Trump disse que a Rússia é que tinha "todas as cartas" mas esta proposta de cessar-fogo obriga Putin a ir a jogo

CNN , Análise de Matthew Chance
12 mar 2025, 11:14
Volodymyr Zelensky com o príncipe saudita em Riade (AP)
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Com a Ucrânia a aceitar a proposta dos EUA para um cessar-fogo de 30 dias, o Kremlin está agora sob pressão para decidir se também aceita o plano do presidente Donald Trump para pôr fim à guerra na Ucrânia, ainda que temporariamente.

As autoridades russas estão a sugerir a realização de contactos com representantes dos EUA “nos próximos dias”, mas não disseram se os termos do cessar-fogo, tal como definidos nas conversações entre os EUA e a Ucrânia na Arábia Saudita, na terça-feira, são aceitáveis.

Para Moscovo, este é o momento da verdade e pode exigir compromissos difíceis, se quiser mesmo a paz.

O Kremlin há muito que diz estar aberto a negociações para pôr fim ao conflito, ao mesmo tempo que insiste que tem de atingir os seus ambiciosos objetivos de guerra, como garantir o controlo de todas as áreas anexadas da Ucrânia.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, conversa com o presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, na Sala Oval da Casa Branca, em Washington, a 28 de fevereiro. Jim Lo Scalzo/Pool/EPA-EFE/Shutterstockw

Ainda na semana passada, o presidente russo Vladimir Putin, o homem forte do Kremlin que lançou esta guerra brutal há três anos, prometeu a um grupo de viúvas e mães chorosas de soldados mortos que Moscovo nunca “cederia”.

A linha dura russa pró-guerra, por vezes encorajada pelo Kremlin, pode ver um cessar-fogo como uma traição.

Mas uma cedência de algum tipo pode ser inevitável.

Mesmo que os negociadores russos consigam impor as suas próprias condições ao cessar-fogo - uma retirada ucraniana de Kursk, por exemplo, a pequena bolsa da Rússia capturada pela Ucrânia, onde os combates estão a decorrer - é difícil imaginar que as suas maiores exigências territoriais, e ainda menos o objetivo de retirar a NATO do seu flanco ocidental, sejam satisfeitas.

Esta pode também tornar-se uma encruzilhada decisiva na relação estranhamente calorosa de Putin com Trump, que, em troca de concessões e elogios recentes, pode agora esperar que o líder do Kremlin entre no jogo.

De facto, “a bola está agora no campo deles”, foi precisamente o que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse sobre os russos depois das suas conversações com os responsáveis ucranianos concluídas em Jeddah, na Arábia Saudita.

Há poucos dias, Trump afirmou que os russos tinham “todas as cartas”. Agora, intencionalmente ou não, ele pode ter chamado o bluff de Putin.

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