Ucrânia garante que está a fazer tudo bem e que é a guerra eletrónica da Rússia que está a causar o caos no Báltico
Primeiro foi a Lituânia, depois foi a Estónia e agora já se juntaram Polónia e Letónia. Há drones em combate na guerra da Ucrânia a voar tão perto da fronteira da NATO que os países banhados pelo Mar Báltico estão a começar a ficar impacientes.
A confirmação desse estado de menor tolerância chegou esta quinta-feira pela voz do ministro da Defesa da Polónia, que pediu à Ucrânia que seja “mais precisa” na utilização deste tipo de armamento, até para evitar que a Rússia possa aproveitar-se da situação.
“Claro que a Ucrânia tem de ser mais precisa aqui para evitar dar origem a provocações russas”, pediu Władysław Kosiniak-Kamysz durante uma conferência de imprensa na capital da Estónia, Tallinn, onde alertou que os territórios aliados “não devem ser violados nem ameaçados”.
Foi a reprimenda mais recente de países da NATO à Ucrânia, que até já veio pedir desculpa pelos incidentes recentes, garantindo que são casos isolados causados por tentativas de ataques contra a Rússia que acabam desviados.
De resto, Kiev atribui esses mesmos desvios à “guerra eletrónica” do Kremlin, que estará a interferir nas rotas dos aparelhos, muitos deles lançados em direção a Moscovo, que recentemente foi palco de um dos maiores ataques do género desde que a guerra começou.
O problema é que no Báltico esta justificação parece não chegar. A Letónia ainda esta quinta-feira emitiu um novo alerta para a presença de um drone no sudeste do país, naquele que foi o terceiro aviso consecutivo em três dias.
No início da semana a tensão foi tal que um caça da NATO teve mesmo de descolar para abater um drone na Estónia.
O ministro estoniano da Defesa, Hanno Pevkur, confirmou que um caça F-16 foi destacado para a missão e que houve destroços do drone a cair numa zona central do país, ainda que sem registo de drones.
A Ucrânia pediu desculpa por este incidente em particular, mas também aproveitou para acuar a Rússia de desviar deliberadamente estes projéteis para território da NATO.
Certo é que estes casos já estão a ter consequências políticas. A primeira-ministra da Letónia, Evika Siliņa, demitiu-se na semana passada do cargo na sequência da rutura da coligação governamental que se seguiu ao impacto de dois drones ucranianos perdidos num projeto de infraestruturas energéticas.
A crise política teve início com as falhas na proteção do espaço aéreo decorrentes da explosão de um drone ucraniano no país, o que já tinha levado Evika Siliņa a solicitar a demissão do seu ministro da Defesa.
