"Sinal fatal". Alemanha dividida após enorme corte do apoio militar à Ucrânia

19 ago 2024, 17:27
Christian Lindner e Olaf Scholz (Michele Tantussi/Getty Images)

Ministro das Finanças vetou apoios adicionais e enviou mesmo uma carta aos colegas de governo a proibir que façam tal coisa

A ajuda do Ocidente à Ucrânia tem sido vital para que o país consiga resistir à pressão da Rússia. Começou logo com o apoio verbal, uma condenação forte da invasão ordenada por Vladimir Putin, e rapidamente se transformou na transferência de meios, até ao ponto de chegarmos a ver armas como HIMARS, ATACMS ou até, mais recentemente, caças F-16 em solo ucraniano.

O apoio retórico do Ocidente não muda, mas a posição prática parece começar a ser outra. Pelo menos em alguns países. Exemplo disso é a Alemanha, o segundo maior apoiante financeiro da Ucrânia a seguir aos Estados Unidos, e que já começou a cortar o financiamento à Ucrânia, estimando-se mesmo que reduza para metade o valor transferido.

Por isso mesmo há um ataque cerrado no seio da política alemã, até porque se ficou a saber que o ministro das Finanças fez saber aos seus colegas da Defesa e dos Negócios Estrangeiros que não há ajuda adicional.

Christian Lindner enviou uma carta aos colegas de governo a confirmer o veto a uma nova transferência de fundos, afirmando que novos pedidos de ajuda ou de envio de equipamento seriam recusados a partir de agora, a menos que se encontre uma via alternativa para os financiar.

Essa via alternativa parece clara: a utilização dos bens russos congelados na Europa, e cuja utilização dos juros há muito se discute como possível financiamento ao esforço de guerra ucraniano.

A instrução veio, segundo o jornal Frankfurter Allgemeine, diretamente do chanceler, Olaf Scholz, que prevê uma dura batalha para fazer passer o Orçamento do Estado para 2025, o que significa que todas as verbas contam.

E Christian Lindner tem mais uma razão a juntar: as maiores dificuldades de financiamento que se avizinham, o que faz com que o líder dos liberais mantenha uma política fiscalmente conservadora que os sociais-democratas de Olaf Scholz parecem querer seguir, até porque dentro do próprio Partido Social Democrata (SPD) há vozes a levantarem-se contra mais dinheiro para Kiev.

Mas nem todos os sociais-democratas estão a favor. O presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros chamou a esta estratégia de “sinal fatal”, lembrando que “o exército ucraniano está de volta à ofensiva pela primeira vez em meses”.

“O país precisa agora do apoio total do seu aliado mais importante na Europa: a Alemanha”, afirmou Michael Roth, sublinhando que também a segurança da Alemanha está em jogo.

Para se ter uma noção do que isso pode significar, o Orçamento do Estado para 2024 contemplava 7,5 mil milhões de euros em ajuda military à Ucrânia. Em 2025 esse valor deve descer para quatro mil milhões.

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