Países do flanco oriental da NATO acreditam que Vladimir Putin quer "arriscar tudo" num esforço desesperado de perturbar a tendência atual
Os serviços secretos da Letónia dizem ter detetado “indícios de que a Rússia está a preparar provocações militares contra os países bálticos ou contra a Polónia”, numa tentativa de testar a coesão da aliança militar ocidental.
Outro país membro da NATO, segundo uma fonte política de alto nível citada pelo The Guardian, garante estar a “recolher informações” que sugerem que o presidente russo está a “planear algo contra os Estados Bálticos”, naquilo que poderá ser uma tentativa de testar o apoio dos EUA a alguns países mais pequenos da aliança.
Os dois países do flanco oriental da NATO falam num esforço desesperado de Vladimir Putin para “arriscar tudo” e suspeitam que poderá fazê-lo visando a Estónia, a Letónia e a Lituânia.
Isto numa altura em que o Kremlin enfrenta dificuldades no terreno e continua a ser pressionado pela campanha de ataques de longo alcance da Ucrânia.
Apesar das suspeitas no Ocidente, a Letónia afirma que uma eventual ofensiva da Rússia sobre algum destes membros da NATO não configuraria um ataque em grande escala, sendo que o país não tem capacidade para abrir uma segunda frente.
Segundo os serviços secretos letões, a Rússia está a ponderar “ataques híbridos, como mísseis, drones ou outro tipo de ações destinadas a enviar um sinal: deixem de apoiar a Ucrânia, ou terão os vossos próprios problemas”.
O especialista em assuntos russos do think tank Chatham House, Keir Giles, avisa que “não devemos esperar que a Rússia perca passivamente”. “Moscovo vai procurar formas de perturbar a tendência atual, através de uma escalada horizontal [alargando o conflito a outros países] ou agindo noutro local”, sublinha.
