Sem água, sem luz e com o metro parado. Rússia ataca com dezenas de mísseis e ucranianos sobrevivem como podem

31 out, 11:51
Borodyanka, em Kiev (AP Photo)

Os ataques desta segunda-feira acontecem dois dias depois de a Rússia ter acusado a Ucrânia de ter atacado a frota russa do Mar Negro com recurso a drones

Utilizando as palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros Dmytro Kuleba, a Ucrânia foi esta segunda-feira alvo de um "lote de mísseis russos". Várias cidades acordaram por volta das 06:00 ao som de explosões. Kiev e Kharkiv, segundo as informações que têm sido divulgadas, foram as cidades mais fustigadas. 

O chefe de gabinete do presidente da Ucrânia, através do Telegram, disse que as infraestruturas energéticas ucranianas foram alvo de um "bombardeamento maciço" protagonizado por "terroristas russos". Kyrylo Tymoshenko explicou que "alguns dos mísseis foram derrubados pelos sistemas de defesa antiaérea, outros acabaram por atingir os alvos pretendidos".

Segundo dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, os sistemas de defesa antiaérea conseguiram destruir 44 dos mais de 50 mísseis disparados pela Rússia. Aliás, graças às defesas antiaéreas ucranianas, um destes mísseis caiu no território da Moldova, junto à fronteira com a Ucrânia, na vila de Naslavcea.

Estes ataques, além de terem provocado sérios estragos nestas infraestruturas essenciais para a Ucrânia, deixaram várias populações sem acesso a água e energia. Na cidade de Kiev, 80% da população estava sem água e cerca de 350.000 casas não tinham eletricidade esta segunda-feira. O presidente da Câmara, Vitali Klitschko, apelou aos cidadãos que fossem comprar água a postos de combustível e a estabelecimentos comerciais próximos. O objetivo era que se abastecessem de água enquanto o problema não era resolvido. 

"Por via das dúvidas, pedimos que se abasteça de água das bombas de gasolina e dos pontos de venda mais próximos. Os especialistas estão a fazer de tudo para devolver a água aos apartamentos", disse no Telegram. 

Em Kharkiv o cenário não foi muito diferente. A cidade ficou sem energia elétrica e a maioria dos serviços do metro deixaram mesmo de funcionar. Alguns estabelecimentos comerciais e hotéis tiveram de recorrer a geradores.

Apesar destes ataques em várias cidades, as linhas ferroviárias continuam a funcionar quase na sua plenitude: 80%. A empresa responsável disse, no entanto, que alguns comboios estão a circular com atrasos, uma vez que passam por zonas atingidas, como Dnipro e Kramatorsk.

Às primeiras horas da manhã foram registadas explosões em Kiev, Kharkiv, Zaporizhzhia, Odessa, Poltava, Vinnytsia e Dnipro. Nesta última, foram divulgadas imagens da coluna de fumo negro que resultou das explosões na Central Hidroelétrica. 

Nas últimas semanas, muitas cidades ucranianas têm enfrentado apagões e escassez de água devido aos ataques russos a empresas industriais, instalações de energia e infraestruturas essenciais para o país. 

De referir que os ataques desta segunda-feira acontecem dois dias depois de a Rússia ter acusado a Ucrânia de ter levado a cabo um ataque com recurso a drones contra a frota russa do Mar Negro. Kiev negou o ataque. 

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