Rússia liberta ex-fuzileiro americano numa troca de prisioneiros

CNN , Radina Gigova, Anna Chernova, Jennifer Hansler e Kylie Atwood
27 abr, 16:10
Trevor Reed. Alexander Nemenov/AFP/Getty Images

EUA recuperam Trevor Reed, libertando em troca um piloto russo detido em 2010 por tráfico de droga

Trevor Reed, cidadão norte-americano e ex-fuzileiro naval que estava detido na Rússia desde 2019, foi libertado numa troca de prisioneiros.

A libertação encerra uma provação de quase três anos para Reed, que fora condenado a nove anos de prisão em julho de 2020 por colocar em risco a “vida e a saúde” de agentes da polícia russos numa altercação. Reed e a sua família negaram todas estas acusações.

A libertação de Reed não vai afetar a abordagem dos EUA à guerra na Ucrânia, segundo afirmaram altos funcionários do governo norte-americano.

“Vou tentar não chorar, porque ele não quer que eu chore”, disse a mãe de Reed, Paula, a Brianna Keilar, da CNN, no programa “New Day” esta quarta-feira. “Obviamente, vou chorar um bocadinho, dar-lhe um grande abraço, e apenas, você sabe, dar-lhe abraços e seremos de novo os quatro juntos (pela primeira vez) em alguns anos, por isso vai ser incrível."

A libertação de Reed faz parte de uma troca de prisioneiros pelo cidadão russo Konstantin Yaroshenko, explicou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, no seu canal oficial do Telegram. Yaroshenko foi condenado por tráfico de drogas em 2011 e sentenciado a 20 anos de prisão. E negou as acusações contra si.

"Hoje, damos as boas-vindas a Trevor Reed e comemoramos o seu regresso à família que sentia muito a sua falta. Trevor, um ex-fuzileiro naval dos EUA, está livre da detenção russa. Ouvi nas vozes dos pais de Trevor o quanto se preocuparam com a sua saúde e sentiram a sua falta. E fiquei encantado por poder partilhar com eles as boas notícias sobre a liberdade de Trevor", afirmou disse o Presidente dos EUA, Joe Biden, em comunicado.

Paula Reed disse a Keilar que a família estava “muito grata” pelos esforços de Biden, e que falaram com ele e com Trevor por telefone depois dele ser libertado.

Num comunicado, a família também agradeceu à comunicação social por manter a cobertura da provação de Reed, elogiando especificamente Patrick Reevell, da ABC, e Jake Tapper, da CNN.

Preocupações com a saúde

A libertação de Reed foi o resultado de “meses e meses de trabalho árduo e cuidadoso de todo o governo dos EUA” neste assunto, disse um alto funcionário do governo, observando que "as conversas sobre o assunto aceleraram-se recentemente em particular para conduzir a este ponto".

Um fator determinante foi a preocupação com a saúde de Reed. A sua família expressou preocupação com a sua provável exposição à tuberculose, bem como a efeitos persistentes de ter covid-19.

O funcionário, falando com jornalistas numa conversa de enquadramento esta quarta-feira, disse que “em última análise, essas negociações levaram o Presidente a ter de tomar uma decisão muito difícil, ao comutar a sentença de Konstantin Yaroshenko, um contrabandista russo condenado por conspirar para importar cocaína."

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia havia levantado anteriormente a possibilidade de que Yaroshenko poderia ser devolvido "em troca de qualquer cidadão americano" detido na Rússia.

Yaroshenko é um piloto russo que foi detido na Libéria por agentes disfarçados da agência de combate à droga dos EUA em 28 de maio de 2010 e levado para os EUA, de acordo com a agência de notícias estatal russa TASS.

Agentes da agência antidrogas dos Estados Unidos aparentemente obtiveram provas de que Yaroshenko tinha intenções criminosas de transportar um grande lote de cocaína, de acordo com a TASS. Cumpria a sua sentença numa instituição prisional em Danbury,  no Connecticut.

O funcionário não forneceu detalhes sobre como ou por que razão Yaroshenko foi escolhido para a troca, mas observou que ele cumpriu a maior parte de sua sentença nos EUA, estando agora sob custódia russa.

"Esta é uma decisão difícil para um presidente. O Presidente Biden fê-lo para trazer para casa um americano cuja saúde era fonte de intensa preocupação, e cumprir o seu compromisso de resolver casos difíceis e reunir os americanos com os seus entes queridos", refere o comunicado oficial.

Reed está agora a voltar para a sua família nos Estados Unidos.

O pai de Reed disse anteriormente à CNN que acreditava que era provável que Reed estivesse a sofrer de tuberculose, que tossia sangue e que uma costela fraturada. E afirmara que Reed fora para um hospital da prisão, mas não recebera tratamento e fora enviado de volta para a “solitária”.

Quando Reed iniciou uma segunda greve de fome em protesto contra seu o tratamento pelas autoridades russas, os pais de Reed foram protestar do lado de fora da Casa Branca, na esperança de garantir um encontro com o Presidente.

Os Reed finalmente encontraram-se com o Presidente na Casa Branca, durante cerca de meia hora no mês passado.

Dois outros americanos ainda detidos na Rússia

A revelação desta quarta-feira também trouxe uma atenção renovada para o caso de Paul Whelan, cidadão americano e ex-fuzileiro naval detido num hotel de Moscovo em dezembro de 2018 e preso por acusações de espionagem, que ele negou de forma consistente e veemente. Foi condenado e sentenciado em junho de 2020 a 16 anos de prisão, num julgamento que autoridades americanas consideraram injusto.

Em junho passado, ele falou à CNN sobre as condições sombrias do campo de trabalho onde trabalha, numa fábrica de roupas que chamou de "sweatshop", acrescentado que obter assistência médica é “muito difícil”. Na sua declaração de boas-vindas à libertação de Reed, Biden disse que o seu governo "não vai parar" até que Whelan esteja em casa.

Enquanto isso, a estrela de basquete norte-americana Brittney Griner continua detida na Rússia, depois de ser presa em fevereiro com acusações de contrabando de drogas. Um tribunal de Moscovo estendeu recentemente a sua detenção até 19 de maio, segundo a agência de notícias estatal russa TASS.

Embora a sua equipa jurídica tenha tido acesso a Griner, e tenha podido vê-la várias vezes por semana durante a sua detenção, um funcionário da embaixada dos EUA em Moscovo obteve finalmente acesso consular a Griner no final de março, dizendo que a encontraram em boas condições.

Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado, disse a Jim Sciutto, da CNN, na quarta-feira, que os casos continuam a ser as principais prioridades dos EUA.

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