Ministro dos Negócios Estrangeiros garante que a Rússia nunca teve objetivos territoriais, mas sim de proteger a população
A Rússia continua focada em conseguir o máximo de território na Ucrânia. Tanto assim que o ministro russo dos Negócios Estrangeiros já fala em concessões e troca de território. Em entrevista ao canal Russia 24, Sergei Lavrov disse que isso é algo que acontece muitas vezes para resolver conflitos, sugerindo que “a troca de território” e os ajustamentos territoriais vão ser a chave para um possível acordo. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia admitiu que pode haver uma reunião que inclua diretamente os presidentes de Rússia e Ucrânia. No entanto, Sergei Lavrov avisou que esse é um encontro que, a acontecer, deve ser preparado minuciosamente.
Em declarações ao canal Rússia 24, Sergei Lavrov garantiu que a Rússia se mantém empenhada nos esforços de paz para resolver a situação, admitindo que as reuniões possam existir como uma base bilateral ou trilateral. Trilateral pressupõe que os Estados Unidos se juntem, com Lavrov a deixar a Europa fora da mesa. “O presidente [Putin] já o disse várias vezes. O ponto-chave é que estes formatos não sejam para cobertura mediática ou jornais da tarde”, acrescentou.
Falando sobre a Cimeira do Alasca, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia sublinhou que Donald Trump quer mesmo chegar à paz. “Ficou claro que o líder dos Estados Unidos e a sua equipa querem sinceramente chegar a um resultado de paz a longo termo, sustentável, fiável, ao contrário dos europeus, que iam dizendo em todo o lado que só queriam um cessar-fogo e depois iam continuar a fornecer armas à Ucrânia”, reiterou.
Falando sobre a interação entre delegações, o ministro russo referiu que Trump compreendeu a necessidade de serem eliminadas as causas de fundo para a guerra. Muito se tem falado nas garantias de segurança a dar à Ucrânia, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia quer que se saiba que também Moscovo tem exigências. Exigiu respeito pela Rússia e pelos direitos dos russos e cidadãos russófonos que vivem na Ucrânia.
“Sem o respeito dos interesses de segurança da Rússia, sem o respeito pelos direitos dos russos e dos russófonos que vivem na Ucrânia, não pode haver qualquer acordo de longo termo, porque estas razões devem ser urgentemente eliminadas no contexto de um acordo”, afirmou. Na verdade, defende que mais do que conquistar território o maior objetivo tem sido sempre "proteger os seus cidadãos".
Ele disse que, à medida que crescem os receios na Ucrânia e entre os aliados, um potencial acordo de paz deixaria o território ocupado pela Rússia nas mãos de Moscovo. "Nunca falámos sobre o facto de que precisamos simplesmente de tomar alguns territórios", explicou. "Nem a Crimeia, nem Donbass, nem Novorossiya como territórios jamais foram o nosso objetivo. O nosso objetivo era proteger as pessoas, o povo russo, que viveu nessas terras durante séculos", clarificou.
"Todos sabem", acrescentou ele, que essas terras "acabaram por se tornar parte da Ucrânia soviética e, depois, parte da Ucrânia independente". A Rússia ocupa partes da Ucrânia desde que anexou ilegalmente a Crimeia em 2014 e controla grandes áreas do leste do país.
À medida que as negociações sobre um possível acordo para pôr fim à guerra na Ucrânia se intensificam, grande parte da discussão tem-se centrado numa parte do leste do país que há muito está no centro dos objetivos da Rússia.
As regiões ucranianas de Donetsk e Lugansk - conhecidas no seu conjunto como Donbass - eram um centro industrial na era soviética, um local de minas de carvão e siderurgias. Mas a região de Donbass também possui terrenos agrícolas férteis, rios importantes e uma costa no Mar de Azov.
Muitos analistas afirmam que, ao ritmo atual, as forças russas ainda levariam vários anos para concluir a ocupação do que foi anexado. Todavia, consideram que há poucas hipóteses de a Ucrânia recuperar grande parte do que já perdeu nos últimos três anos: quase toda a região de Luhansk e mais de 70% de Donetsk.