O alegado autor do crime foi detido no Dubai, depois de ter fugido de Moscovo. Alekseyev continua hospitalizado e recuperou a consciência após uma cirurgia
O Comité de Investigação da Rússia acusou os serviços secretos ucranianos de estarem por detrás da tentativa de assassínio de um general russo em Moscovo, na sexta-feira, e afirma que o alegado autor do crime foi detido no Dubai, depois de ter fugido de Moscovo.
Um outro suspeito - descrito como cúmplice - foi também detido, segundo o Comité. Um outro alegado cúmplice fugiu para a Ucrânia.
O Comité de Investigação identificou o alegado agressor como um homem de cerca de 60 anos, nascido na região de Ternopil, na Ucrânia. Chegou à Rússia em dezembro “sob as instruções dos serviços especiais de Kiev”, afirmou o Comité.
Na madrugada de sexta-feira, um atacante disparou vários tiros contra o tenente-general Vladimir Alekseyev num edifício residencial na estrada Volokolamskoye, em Moscovo, e fugiu do local.
Alekseyev recuperou a consciência após uma cirurgia, informou a TASS no sábado. “Os médicos afirmam cautelosamente que a sua vida não corre perigo”, acrescentou, citando fontes médicas.
O Comité de Investigação informou que foi encontrada no local uma pistola Makarov com silenciador.
O serviço de segurança russo - o FSB - afirmou no domingo que, imediatamente após o tiroteio, o suspeito embarcou num voo de Moscovo para o Dubai, onde foi detido e regressou à Rússia.
O Kremlin afirmou no domingo que o presidente russo, Vladimir Putin, tinha falado com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, e agradeceu-lhe a ajuda na detenção do suspeito.
O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, disse à Reuters na sexta-feira que Kiev não tinha nada a ver com o ataque.
Alekseyev, 64 anos, é o primeiro vice-chefe da Direção Principal dos Serviços Secretos da Rússia, o GRU.
Em 2023, Alekseyev foi enviado pelos militares russos para negociar com Yevgeny Prigozhin, fundador do grupo de mercenários privados Wagner, durante o motim do grupo Wagner. Na altura, classificou as acções de Prigozhin como um golpe de Estado e como “uma punhalada nas costas do país e do Presidente”.
Prigozhin foi um dos vários funcionários do GRU sancionados pelos Estados Unidos em 2016 por uma vasta atividade cibernética maliciosa destinada a minar os processos democráticos dos EUA.
Foi também sancionado pela União Europeia em janeiro de 2019, na sequência de um ataque com um agente nervoso em Salisbury, Inglaterra, que o governo britânico afirmou ter sido levado a cabo por agentes do GRU para envenenar um antigo espião russo. As sanções da UE descrevem Alekseyev como “responsável pela posse, transporte e uso em Salisbury... do agente nervoso tóxico ‘Novichok’ por oficiais do GRU”, juntamente com o chefe da inteligência militar russa sancionado Igor Kostyukov.
O ataque a Alekseyev é o mais recente dirigido a figuras de topo dos serviços militares e de segurança russos.
Em dezembro, um general russo foi morto num atentado à bomba em Moscovo, tendo as autoridades apontado também o dedo à Ucrânia.
O tenente-general Fanil Sarvarov, que dirigia o departamento de formação operacional das forças armadas, morreu após a explosão de um dispositivo instalado sob o chassis de um carro, informou o Comité de Investigação da Rússia.
O general de 56 anos tinha anteriormente “desempenhado as tarefas de organização e condução de uma operação na Síria”, quando as forças russas estavam a apoiar o regime de Assad, disse a TASS.
Entre os oficiais russos de alta patente mortos em Moscovo está o tenente-general Yaroslav Moskalik, vice-chefe do principal departamento operacional do Estado-Maior, que foi vítima de um atentado com carro-bomba perto de Moscovo em abril do ano passado.
*Lauren Kent e Anna Chernova contribuíram para este artigo