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Rombo no apoio à Ucrânia: metade dos países de coligação de que Portugal faz parte deixam de financiar armamento

26 mai, 18:55
Tropas francesas em exercícios da NATO na Estónia (AP)
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Iniciativa que já deu quatro milhões de munições à Ucrânia e até já esteve perto de acabar vive momento de impasse

O número de países que estão a participar numa iniciativa liderada pela Chéquia para dar munições à Ucrânia caiu para metade. De acordo com o presidente checo, Petr Pavel, que falou ao Financial Times, nove dos 18 países decidiram de continuar a financiar o projeto.

Esta é a consequência mais recente da ascensão de Andrej Babiš a primeiro-ministro, ele que é tido como alguém próximo de Moscovo e que segue a mesma lógica do ex-primeiro-ministro da Hungria e do atual primeiro-ministro da Eslováquia, respetivamente Viktor Orbán e Robert Fico.

O chefe do governo checo, que assumiu o cargo em dezembro, deixou logo bem claro que não queria dinheiro dos seus cidadãos a pagar armas ucranianas, o que deixou logo um clima de suspeição na aliança lançada em 2024, e que já forneceu milhões de munições a Kiev.

Agora, e de acordo com Petr Pavel, que até já foi comandante da NATO, há preocupações crescentes com o projeto anunciado pelo governo anterior, que liderava uma agenda pró-Ucrânia altamente apoiada pela presidência, o que mudou há seis meses.

“A iniciativa ainda está a funcionar, mas a nova dificuldade é que apenas nove Estados-membros estão a contribuir financeiramente”, admitiu Petr Pavel ao Financial Times, lembrando que “esta iniciativa tem entregado aos ucranianos até 50% de todas as munições de largo calibre, então não pode ser substituída facilmente por qualquer coisa”.

Entre os países que fazem parte da iniciativa está Portugal, que logo em 2024, aquando do lançamento do projeto, aprovou em sede de Conselho de Ministros o pagamento de um máximo de 100 milhões de euros que assentava no “compromisso assumido por Portugal de apoiar a defesa da soberania e a integridade territorial da Ucrânia”.

A CNN Portugal questionou o Governo sobre se de que lado está Portugal neste momento, se dos nove que continuam a contribuir, se dos nove que saíram da iniciativa, mas não recebeu qualquer resposta até à publicação deste artigo.

Ao todo, e desde que esta iniciativa foi lançada no início de 2024, a Chéquia já forneceu quatro milhões de munições de largo calibre para ajudar a Ucrânia a lidar com a falta de stock.

Perante este impasse, Petr Pavel admite que a iniciativa seja um dos tópicos em discussão na próxima cimeira da NATO, que se realiza em julho em Ancara, Turquia.

Embora o presidente checo se tenha recusado a nomear os países que já deixaram a iniciativa, o Financial Times cita um responsável militar que garantiu que a Alemanha e alguns países nórdicos continuam entre os participantes.

Quanto aos que saíram, o sentimento é de que “é estranho pagar por algo que nem sequer tem o apoio correto dos políticos que governam o país que lidera [a iniciativa]”.

Em paralelo, e confirmando uma agenda mais virada para dentro, Andrej Babiš disse ao Financial Times que o seu governo tem neste momento como prioridade a ajuda na luta contra a crise energética que saiu da guerra no Irão.

“Não temos dinheiro, então recebemos dinheiro de outros países e depois entregamos [as munições]”, indicou.

De resto, este meio-termo pode até ser uma mal menor para a Ucrânia, já que Andrej Babiš chegou a ameaçar, em plena campanha, com o corte total do financiamento de munições através desta iniciativa, alegando falta de transparência na forma como o dinheiro estava a ser utilizado.

Para que se perceba a dimensão da iniciativa, só este ano já foram entregues 500 mil munições de um contrato de um milhão, de acordo com o Ministério da Defesa da Chéquia, que conseguiu sobreviver às ameaças de cancelamento do programa, que agora fica visivelmente comprometido.

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