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Relação EUA-Ucrânia azeda: Trump e Zelensky trocam críticas enquanto Putin assiste sentado

19 fev 2025, 19:57
Donald Trump e Volodymyr Zelensky (AP)
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Presidente norte-americano chamou ditador ao homólogo ucraniano. Foi a última de várias acusações mútuas

Acaba de estalar o verniz entre Estados Unidos e Ucrânia. Depois de ter parecido mal a Volodymyr Zelensky que Donald Trump tenha organizado negociações sem a sua presença ou conhecimento, os dois presidentes trocaram críticas, mostrando um afastamento claro, e que foi motivado por uma publicação do chefe de Estado norte-americano.

Utilizando a sua Truth Social, Donald Trump escreveu que Volodymyr Zelensky é um “ditador sem eleições”, avisando que a Ucrânia deve apressar-se a entrar em negociações, sob pena de ficar sem país para defender.

Declarações inflamadas que surgiram poucas horas depois de o mesmo Donald Trump ter sugerido que foi a Ucrânia a responsável pela invasão russa de 2022, o que levou o presidente ucraniano a acusar o homólogo norte-americano de viver numa “bolha de desinformação” russa.

“Um ditador sem eleições, Zelensky deve apressar-se ou não vai ter país que sobre”, escreveu Donald Trump em resposta, numa declaração que até está a preocupar a Europa - Olaf Scholz, por exemplo, apelidou este episódio de “errado e perigoso”.

Mas a guerra de palavras entre Washington DC e Kiev não se ficou pelos presidentes. O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, avisou que ninguém pode forçar o país invadido a desistir. “Vamos defender o nosso direito a existir”, escreveu na rede social X.

Já o vice-presidente dos Estados Unidos avisou o presidente da Ucrânia sobre “insultos” dirigidos ao presidente dos Estados Unidos em público. “A ideia de que Zelensky vai mudar a mente do presidente ao insultá-lo em público na comunicação social, todos os que conhecem o presidente sabem que esta é uma forma atroz de lidar com esta administração”, referiu JD Vance em entrevista ao Daily Mail.

“Claro que amamos o povo ucraniano. Admiramos os seus bravos soldados, mas claramente pensamos que esta guerra tem de ter um fim rápido”, reiterou, garantindo que a política de Trump não se baseia em desinformação russa.

Do lado de Volodymyr Zelensky, cujo mandato devia ter terminado em 2024 mas foi estendido por causa do contexto de guerra, pretende-se que Donald Trump tenha “mais verdade” sobre a Ucrânia.

Isto porque o presidente norte-americano defendeu que a Ucrânia “nunca devia ter começado” a guerra, numa declaração em que também afirmou que a taxa de aprovação de Volodymyr Zelensky era de apenas 4%.

“Temos provas de que estes dados estão a ser discutidos entre América e Rússia. Quer dizer que o presidente Trump… infelizmente vive num espaço de desinformação”, referiu em declarações reproduzidas pela televisão ucraniana.

De acordo com o Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, o atual presidente ucraniano goza da confiança de 57% dos ucranianos, ainda que haja um descontentamento e desgaste notórios no chefe de Estado.

No meio de tudo isto, Vladimir Putin e a Rússia vão caminhando calmamente, com a imprensa de Moscovo a aproveitar a troca de galhardetes para empolar uma crítica à Ucrânia.

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia afirmou que o presidente dos Estados Unidos está 200% certo ao afirmar que o presidente da Ucrânia é um “ditador sem eleições”. Sem supresas, Dmitry Medvedev, que é um dos mais ferozes apoiantes da conduta de guerra da Rússia, concordou com Donald Trump.

“Se me tivessem dito há três meses que estas eram palavras de um presidente americano eu ter-me-ia rido muito. Donald Trump está 200% correto”, escreveu na rede social X o também ex-presidente da Rússia, que apelidou Volodymyr Zelensky de “palhaço falido”.

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