Que riscos correm os soldados russos contaminados em Chernobyl?

CNN Portugal , MJC
1 abr, 19:50
Exército russo em Chernobyl

Os danos do sistema gastro-intestinal, que são os mais comuns após exposição à radiação, provocam geralmente náuseas e má disposição

A empresa estatal de energia ucraniana, Energoatom, disse que tropas russas receberam "doses significativas" de radiação por terem escavado trincheiras na zona de exclusão à volta da central nuclear de Chernobyl. O diretor da central, Valery Seida, disse ser impossível determinar o grau de radiação a que as tropas russas foram expostas enquanto ocupavam o território: "No território da própria estação, os ocupantes não cavaram nada, mas a poeira espessa levantada pela passagem de veículos e as partículas de radiação" que lá existem "podem ter entrado no corpo" das tropas russas "pelos pulmões", disse.

A ser verdadeira esta informação, que riscos correm os soldados russos?

O médico Francisco Norton Brandão, especialista em medicina nuclear, explica à CNN Portugal que "numa exposição à radiação" pode haver dois tipos de efeitos: os determinísticos - ou seja, "quando expostos a uma elevada quantidade de radiação, sabemos já que determinados órgãos podem ser afetados"; e os probabilísticos - que são os efeitos de longo prazo, isto é, existe uma probabildade grande que a radiação venha a provocar problemas daqui a 20 ou 30 anos.

Não tendo muito conhecimento sobre o nível de radiação na região de Chernobyl, nem sobre o grau de exposição dos soldados, é difícil prever o que pode acontecer aos soldados, sublinha Francisco Norton Brandão. "Tanto quanto sei, estamos a falar de radiação residual, de substâncias que ficaram no solo ou na atmosfera", diz. "Se os soldados foram retirados por esse motivo é porque terão sido expostos a um elevado nível de radiação", presume.

Nesses casos, de exposição elevada à radiação, sabemos que esta provoca "danos celulares, ou seja, no ADN das células" e que estes danos "são mais graves nas células que se reproduzem mais rapidamente" - que são as do sistema gastro-intestinal e da medula óssea. Nos casos realmente mais graves, poderão também verificar-se danos nos sistemas vascular e renal.

Os danos do sistema gastro-intestinal, que são os mais comuns, provocam geralmente náuseas e má disposição.

Já os danos da medula óssea podem inibir a capacidade de produzir glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas. "O que tem depois outras consequências porque o sistema imunitário fica muito fragilizado, o corpo não consegue combater as infeções e há uma série de outros problemas que surgem", explica este especialista.

"Nestes casos, não é possível fazer muito", revela Francisco Brandão. "Não há um tratamento, a única coisa a fazer é terapia de suporte, para tentar minimizar o dano que a radiação fez".

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