Putin rejeita propostas "inaceitáveis" da Europa para o acordo de paz. E avisa: "Se a Europa quiser guerra, estamos prontos"

CNN Portugal , MJC
2 dez, 16:09
Vladimir Putin (EPA)

Presidente russo recebe esta tarde os representantes norte-americanos para discutir um possível acordo de paz com a Ucrânia

O presidente russo, Vladimir Putin, rejeita as propostas europeias para um acordo de paz, considerando mesmo que “as exigências europeias são inaceitáveis para a Rússia”. Acusa ainda os líderes europeus de “dificultarem” as propostas dos EUA e que “não têm uma agenda pacífica”. O presidente russo afirmou ainda que a Europa esteve afastada das negociações do plano de paz por própria culpa.

Putin disse também que a Rússia não quer a guerra, mas “se a Europa quiser fazer a guerra, estamos prontos agora”, acrescentou, segundo a Reuters.

Estas afirmações foram feitas num fórum de investimentos que estava a decorrer em Moscovo, antes do encontro no Kremlin com os enviados especiais de Trump para a paz na Ucrânia, Steve Witkoff e o genro Jared Kushner, que se realiza esta tarde. 

Zelensky diz que "não há soluções simples"

Em visita à Irlanda, e antes destas declarações de Putin, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que esta deslocação acontece “num dos momentos mais desafiantes e, ao mesmo tempo, otimistas”, pois “agora, mais do que nunca, há uma oportunidade para acabar com esta guerra”.

Zelensky disse que a Ucrânia estará atenta aos sinais que sairão da reunião Rússia-EUA e, “com base nesses sinais, no que eles disserem, decidiremos os nossos próximos passos”, colocando a hipótese de se reunir com a delegação dos EUA a seguir, dependendo do resultado das conversações.

O presidente ucraniano lembrou que “nada deve ser decidido sobre a Ucrânia sem a Ucrânia”, mesmo admitindo que “não existem soluções simples” para acabar com a guerra.

As negociações de paz “não são uma experiência” para a Ucrânia, mas sim algo que irá definir o futuro do país e da nação, e não se deve fugir ao facto de a Rússia ter sido o agressor. “Temos de acabar com a guerra de forma a que, daqui a um ano, a Rússia não volte com uma terceira invasão”, afirmou.

Pokrovsk "totalmente sob o controlo russo"

Zelensky tinha já alertado que os russos estavam a "lançar novas campanhas de desinformação tendo em vista os preparativos para as próximas reuniões com o lado americano”, presumivelmente referindo-se à narrativa russa sobre a situação no campo de batalha, incluindo Pokrovsk.

"Dei instruções para continuar o trabalho mais construtivo possível com a equipa do presidente Trump, bem como com os nossos parceiros europeus. Os serviços secretos ucranianos fornecerão aos parceiros todas as informações disponíveis sobre as verdadeiras intenções da Rússia e as suas tentativas de utilizar o compromisso diplomático como cobertura para enfraquecer as sanções e bloquear importantes decisões colectivas europeias", sublinhou o presidente ucraniano.

A Rússia anunciou na segunda-feira a conquista de Pokrovsk, mas as forças ucranianas vieram dizer que ainda controlavam a zona norte da cidade e que havia combates a decorrer. Esta tarde, Putin voltou a afirmar que a cidade de Pokrovsk está “totalmente sob o controlo do exército russo” e que esta cidade tem “um significado especial e é "uma grande base para cumprir objectivos”.

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