Putin chamou “guerra” à invasão da Ucrânia pela primeira vez. E há um político russo que o quer processar por isso

23 dez 2022, 13:04

"É importante para mim fazer isto, para chamar a atenção para a contradição e a injustiça destas leis que ele adota e promulga, mas que não cumpre", afirma o opositor Nikita Yuferev

Um vereador da autarquia de São Petersburgo está a processar o presidente russo por ter classificado a invasão da Ucrânia de “guerra”.

Nikita Yuferev, político da oposição, acusou Vladimir Putin de violar uma lei por si aprovada. Desde o início da invasão, o Kremlin tem-se referido ao conflito como “operação militar especial”. Em março, o presidente russo promulgou uma lei que pune com multas e penas de prisão quem desacreditar e propagar “informações falsas de forma deliberada” sobre as forças armadas do país. No entanto, no discurso de quinta-feira perante altas patentes militares, no Ministério da Defesa, Putin classificou o conflito de “guerra”.

"O nosso objetivo não é gastar recursos sem alcançar nada, mas, pelo contrário, pôr fim a esta guerra", disse o líder russo, citado pela Reuters.

Yuferev disse não esperar que a iniciativa dê resultados, mas garante que o fez para expor a “hipocrisia” do sistema.

"É importante para mim fazer isto, para chamar a atenção para a contradição e a injustiça destas leis que ele adota e promulga, mas que não cumpre. Penso que, quanto mais falamos sobre isto, mais pessoas irão duvidar da sua honestidade, da sua infalibilidade”, afirmou à Reuters o opositor do regime russo, que pediu aos procuradores para “responsabilizarem Putin pela difusão de informações falsas acerca das ações do exército russo”.

Esta não é a primeira vez que Nikita Yuferev alerta para violações desta lei por parte de aliados de Putin. Anteriormente, alertou as autoridades para o uso da palavra guerra por parte de Sergei Kiriyenko, vice-líder da administração presidencial russa, e pelo deputado russo Sergei Mironov. No entanto, a polícia local concluiu que Kiriyenko não atuou de forma errada, e recusou investigar a denúncia sobre o parlamentar.

Em sentido contrário, vários críticos do regime foram condenados pelo uso da palavra no contexto da invasão da Ucrânia, como o opositor Ilya Yashin, punido com oito anos de prisão, e o vereador local de Moscovo Alexei Gorinov, condenado em julho a sete anos de cadeia.

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