"Provocação", "encenação" e "falsidades". O que diz a Rússia sobre o que aconteceu em Bucha

Pedro Falardo , Artigo atualizado às 11:15
4 abr, 11:05

Governo e diplomacia russa estão em uníssono na rejeição das responsabilidades do país sobre as atrocidades praticadas na região de Kiev

O presidente do Comité de Investigação da Federação Russa, Alexander Bastrykin, anunciou, esta segunda-feira, que a sua principal unidade de investigação vai analisar a as "informações disseminadas pelo Ministério da Defesa da Ucrânia sobre o assassinato de cidadãos em Bucha, na região de Kiev", avançou a agência Tass, citando um comunicado da organização.

O Comité apelidou este episódio de "provocação" e acusou a Ucrânia de "disseminar falsidades". Também esta segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou "categoricamente" que a Rússia tenha sido responsável por qualquer atrocidade em Bucha.

"A Rússia nega categoricamente qualquer acusação sobre o assassinato de civis em Bucha e está disponível para discutir este assunto ao mais alto nível", afirmou Peskov, citado pela Tass.

O porta-voz expressa dúvidas quanto à versão ucraniana, garantindo que os "factos e a cronologia não suportam" o relato de Kiev, e cita especialista russos que detetaram várias "falsidades e edições" nos vídeos exibidos.

Peskov apelou aos líderes ocidentais para não se "apressarem" a condenar os eventos de Bucha sem ouvirem a versão russa primeiro, e recusou-se a comentar que efeito poderá este acontecimento ter nas negociações.

“A situação é séria, e aqui pedimos a vários líderes internacionais para não se apressarem a fazer declarações e acusações ferozes, mas sim que peçam informações de várias fontes e que pelo menos ouçam os nossos argumentos”, pediu Peskov.

O porta-voz do governo russo condenou ainda Jaroslaw Kaczynski, líder do PIS, partido no poder na Polónia, por este ter mostrado recetividade a acolher armas nucleares americanas no país, alegando que tal só levaria a um "aumento das tensões".

Sergei Lavrov diz que situação foi "encenada"

Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, afirma que a situação em Bucha foi "encenada" e que tem sido propagada pelas redes sociais pelo Ocidente e pela Ucrânia.

Citado pela Tass, Lavrov afirma que este é um "ataque falso" e que "provocações destas são uma ameaça à segurança internacional".

Rússia pede novamente reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre Bucha

Citada pela Reuters, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, afirma que o país pediu novamente uma reunião do Conselho de Segurança da ONU a propósito da "provocação das Forças Armadas da Ucrânia" em Bucha.

"Ontem, cumprindo a pior tradição inglesa, a presidência britânica do Conselho de Segurança da ONU não autorizou uma reunião sobre a situação de Bucha. A Rússia irá pedir novamente uma reunião do Conselho devido às provocações das Forças Armadas e dos radicais da Ucrânia na cidade", afirmou Zakharova.

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