Starmer disse aos líderes que participaram na reunião - entre os quais Portugal, representado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro - que não devem ficar "simplesmente à espera" mas continuar a apoiar a Ucrânia de forma militar e financeira, e também preparar uma força de manutenção de paz
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, exortou este sábado vários líderes internacionais que "mantenham a pressão" sobre o Presidente russo, Vladimir Putin, para que este aceite um cessar-fogo na Ucrânia e inicie negociações de paz.
“Se (o Presidente russo Vladimir) Putin está a falar a sério sobre paz, é muito simples, ele tem de parar os seus ataques bárbaros contra a Ucrânia e aceitar um cessar-fogo”, disse Starmer Na intervenção de abertura de uma reunião virtual, em videochamada com líderes de mais 25 nações, incluindo da Europa, Austrália, Canadá e Nova Zelândia. A União Europeia e a NATO também estão presentes.
Vladimir Putin terá, “mais cedo ou mais tarde”, de “sentar-se à mesa das negociações e participar numa discussão séria, mas - e este é um grande mas para nós esta manhã - não podemos sentar-nos e simplesmente esperar que isso aconteça", disse. "Temos de continuar a avançar, a avançar e a prepararmo-nos para a paz, uma paz que seja segura e duradoura."
Na opinião de Starmer, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, presente na conferência, "demonstrou mais uma vez que a Ucrânia é o partido da paz, porque concordou e comprometeu-se com um cessar-fogo incondicional de 30 dias". E acrescentou: "Agora, o que vemos, e este é o ponto central das nossas discussões de hoje, é que Putin é quem está a tentar atrasar. Se Putin está a falar a sério sobre a paz, é muito simples: ele tem de parar os ataques bárbaros à Ucrânia e concordar com um cessar-fogo”.
Starmer disse aos líderes que participaram na reunião - entre os quais Portugal, representado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro - que não devem ficar "simplesmente à espera" mas continuar a apoiar a Ucrânia de forma militar e financeira, e também preparar uma força de manutenção de paz. "Tendo em conta os desenvolvimentos dos últimos dias, [temos de] manter a pressão sobre Putin para que se sente à mesa das negociações. E penso que, coletivamente, temos uma série de formas de o fazer", acrescentou.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reiterou a necessidade de continuar o trabalho para formar o que chama de "Coalition of the Willing", uma coligação de países dispostos a participar numa força de manutenção de paz com soldados ou meios militares. Uma sessão de planeamento militar deverá ser realizada na próxima semana.
A conferência de hoje acontece após várias semanas de diplomacia intensa por parte dos países europeus para mostrar aos Estados Unidos a disponibilidade para participar num processo de paz, mas também dos EUA, que tem mantido contactos com Kiev e Moscovo para chegar a um entendimento.
Esta semana, Kiev aceitou a proposta norte-americana de um cessar-fogo de 30 dias, mais de três anos após a invasão russa, mas Putin expressou reservas sobre este plano e levantou "questões importantes" que precisam de ser abordadas antes que se possa chegar a uma trégua.
O G7 expressou, numa declaração final após uma reunião dos ministros de Negócios Estrangeiros, o seu “apoio inabalável” à “integridade territorial” da Ucrânia e ameaçou a Rússia com novas sanções se não apoiar a proposta norte-americana de uma trégua de 30 dias, já aceite por Kiev mas que encontrou resistências do Kremlin.
