Portugal "está à vontade" e é dos países que vai sofrer menos consequências energéticas com as sanções à Rússia

4 mar, 18:31
Augusto Santos Silva

Augusto Santos Silva entende que as sanções aplicadas são mais estratégicas que económicas, mas admite que a situação pode ser difícil para alguns países

O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que Portugal é um dos países que vai sofrer menos consequências com as sanções aplicadas à importação de energia fóssil da Rússia, depois da invasão à Ucrânia. De acordo com Augusto Santos Silva, o país "está à vontade" para tomar este tipo de medidas.

“A nossa dependência em relação à Rússia é residual no domínio do gás. Portugal tem uma dependência mínima face à Rússia”, disse, lembrando que a Galp interrompeu as negociações de petróleo com aquele país.

De resto, segundo o governante, esta dependência energética da Europa face à Rússia foi um dos temas da reunião que juntou União Europeia, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Neste ponto, o ministro afirmou que se espera que essa dependência se reduza em cerca de um terço no próximo ano.

Como representante português, Augusto Santos Silva fez saber que o mais importante é a diversificação das fontes.

“Esta não é apenas uma matéria económica, é também uma matéria estratégica e de segurança da Europa”, acrescentou, admitindo que a situação portuguesa é diferente, porque há “Estados-membros que dependem quase exclusivamente da Rússia para o abastecimento de gás”.

Os últimos dados dão conta de que apenas 10% do gás natural consumido em Portugal tem proveniência da Rússia, percentagem que aumenta drasticamente noutros países, como é o caso da Alemanha.

Sobre outras sanções, Augusto Santos Silva lembra que Portugal acompanha a União Europeia, nomeadamente na proibição de vistos a cidadãos russos e na negociação por parte de empresas russas no sistema de pagamentos SWIFT.

Novas sanções em discussão

Augusto Santos Silva afirmou ainda que se perspetivam novas sanções para oligarcas russos, que deverão surgir dentro de pouco tempo.

“Nos próximos dias ou semanas acrescentaremos à lista pessoas singulares russas”, afirmou, depois de uma reunião com outros ministros dos Negócios Estrangeiros.

Em cima da mesa esteve também a expansão das sanções económicas, sobretudo no acesso ao SWIFT ou na proibição de transações no espaço europeu, na possibilidade de acrescentar novos nomes, individuais ou coletivos, aos alvos destas sanções.

O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá alinharam-se nas sanções a impor à Rússia. De acordo com Augusto Santos Silva, que falou depois de uma reunião em Bruxelas, um ponto muito presente é a “necessidade de cuidar da implementação completa das sanções”, avaliando o efeito das mesmas.

“É uma fase muito importante, não podemos multiplicar-nos em sanções sem cuidar que elas estão completamente implementadas no terreno”, afirmou.

O responsável falou de uma evolução “muito negativa” no terreno, e admite que foram discutidas novas medidas de “isolamento da Rússia nas organizações internacionais”, sobretudo nas instituições financeiras multilaterais.

Foi também discutido o alargamento das sanções a mais oligarcas russos, tendo a Polónia apresentado uma lista com mais nomes.

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