opinião

Paulo Portas: António Guterres "teve dificuldade em avaliar o que esta guerra significava”

1 mai, 22:03

O comentador da TVI alerta também para o "lado dissimulado" da retirada dos civis de Mariupol, e considera "preocupante" a escalada de palavras dos dois lados do conflito

Na sua rubrica “Global” no Jornal das 8 da TVI, Paulo Portas afirma ser “bastante crítico” do papel desempenhado pelas Nações Unidas durante toda a invasão russa, e considera que António Guterres "teve dificuldade em avaliar o que esta guerra significava”.

“Lembro-me que, na véspera da invasão russa, António Guterres ainda dava entrevistas lancinantes sobre um problema que é sério, mas que ia rapidamente deixar de ser um problema, que eram as ilhas do Pacífico desaparecerem por causa das alterações climáticas. Demorou muito tempo a falar com um tom e uma gravidade que se ouvisse”, afirma.

O comentador destaca ainda que a viagem pôs a nu o facto de os dirigentes russos só reconhecerem “as relações de forças”, não respeitando o diálogo, o chamado “soft power”.

“Um Secretário-Geral das Nações Unidas ser recebido com ameaças de uma Terceira Guerra Mundial e levar com dois bombardeamentos da Rússia, oficialmente assumidos, é uma coisa extraordinária. Um membro do Conselho de Segurança [da ONU] a bombardear a cidade onde estava, em missão de bons ofícios, o Secretário-Geral das Nações Unidas”.

O antigo vice-primeiro-ministro pensa também que a retirada dos civis em Mariupol tem um dedo de Guterres, mas alerta para um “lado dissimulado” da mesma. “Ninguém sabe exatamente para onde foram as pessoas que foram retiradas das fábricas. Há uma diferença entre ir para Zaporizhzhia, controlada pela Ucrânia, e ir para Donetsk, controlada pela Rússia”.

O comentador destaca a escalada de palavras da última semana, verificada “nos dois lados”, algo que sublinha ser “preocupante”, e afirma que Sergei Lavrov, que disse que o mundo estava perto de uma Terceira Guerra Mundial, foi “o ministro dos Negócios Estrangeiros mais brutal na forma” que conheceu ao longo da sua vida política.

Sobre a reunião de Ramstein, que formou uma espécie de “coligação informal” de apoio à Ucrânia, Paulo Portas realça a presença de dois países: o Qatar, muito importante para reduzir a dependência do gás russo, e Israel.

“Acho que Israel já não tem condições para ser mediador. O mediador possível que sobra é Erdogan, que estava também nesta reunião”, diz Paulo Portas.

Sobre o conflito bélico, Portas considera que a segunda fase da guerra “é uma luta contra o tempo, geografia e da experiência, do ponto de vista dos ucranianos”.

“O território do Leste e do Sul é diferente do que cercava Kiev. Os russos têm mais conhecimento deste território há pelo menos oito anos e, por outro lado, a evolução dos factos militares levam a que a estratégia dos russos, por enquanto não conseguida, seja tentar as duas frentes”, explica o comentador.

Paulo Portas afirma que a junção das forças russas das duas frentes é significativa, dado que se constituirá uma “força de fogo e operações muito forte”, e considera que uma das grandes questões desta fase da guerra é perceber se o apoio militar ocidental consegue colmatar a diferença de poder.

Crescimento do PIB português foi uma "boa" surpresa

Abordando a economia portuguesa, Paulo Portas afirma que o crescimento de 11,9% do PIB foi uma “boa” surpresa, mas sublinha o facto de se tratar de uma comparação em termos homólogos pois, no início de 2021, Portugal estava a lidar com uma das piores vagas da pandemia de covid-19 e com um confinamento prolongado, que fez com que o PIB caísse bastante.

No entanto, o antigo líder do CDS aponta que o crescimento em cadeia, isto, face ao último trimestre de 2021. “é francamente bom”.

“[Estes números] permitem ter alguma expectativa de, em 2022, se verifique o nível de crescimento bom, uma execução orçamental razoável, para não dizer boa. Isso deve ser sublinhado porque são os factos”.

O ponto menos positivo é a inflação, que tem disparado nos primeiros meses do ano. Paulo Portas chama a atenção para este valor na alimentação, que está nos 9%, “muito acima da média europeia”, e para a “inflação subjacente”, que não inclui a energia e a alimentação, que está acima da Zona Euro.

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