Paraquedistas russos desembarcam em Kharkiv e atacam hospital militar

Rafaela Laja , Notícia atualizada às 11:49
2 mar, 07:05
Kharkiv

Joe Biden anunciou que os Estados Unidos vão encerrar o espaço aéreo à Rússia e deixou um aviso a Vladimir Putin: vai pagar "a longo prazo" pela invasão da Ucrânia, que já se prolonga há quase uma semana. Entretanto, um novo grupo de tropas russas chegou à cidade de Kharkiv. O balanço da madrugada desta quarta-feira

Nas primeiras horas desta quarta-feira, Kiev e outras cidades da Ucrânia foram alvo de mais bombardeamentos, à medida que o exército russo intensifica a sua ofensiva e aproxima as forças da capital. Pelo menos quatro pessoas morreram depois de um míssil de cruzeiro ter atingido casas na cidade de Zhytomyr, a 120 quilómetros de Kiev. Os dados foram avançados por Anton Gerashchenko, conselheiro do ministério do Interior, no Telegram, mas os serviços de emergência ucranianos dizem que ainda podem existir corpos debaixo dos escombros. O míssil cruzeiro, que estava direcionado para atingir a base aérea 95ª Brigada Aerotransportada, acabou por embater contra prédios residenciais.

Durante a madrugada, as tropas aéreas russas chegaram a Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, avançam os serviços de segurança ucranianos. De acordo com as autoridades, os paraquedistas russos desembarcaram cerca das 3:00 locais (1:00 em Portugal Continental) e envolveram-se em intensos combates com as forças ucranianas. Um hospital militar foi atacado. 

Outro dos desenvolvimentos importantes da madrugada foi vivido mais a sul. Os militares russos parecem ter tomado Kherson, uma cidade estrategicamente importante a norte da península da Crimeia, avança a CNN, que descreve que os veículos militares russos entraram na cidade após fortes bombardeamentos. Segundo o autarca local, Igor Kolyhav, o exército russo tomou o porto fluvial e a estação ferroviária. A cidade-fortaleza do Mar Negro fundada pela imperatriz russa Catarina, a Grande, em 1778, já tinha sido palco de um ataque de grande escala por parte das forças de Putin na noite anterior. 

Há ainda novas informações sobre a coluna militar russa de 64 quilómetros que se prepara para invadir a cidade: de acordo com a defesa dos Estados Unidos, este comboio armado está parado há cerca de 24 horas. Em causa estarão "problemas logísticos básicos" como a escassez de alimentos e combustível, com algumas unidades a apresentarem a "moral em baixo", segundo as informações adiantadas por fonte de defesa dos Estados Unidos.

Já durante a manhã desta quarta-feira, a Caritas da Polónia, uma instituição particular de solidariedade social ligada à Igreja Católica, anunciou que vai acolher duas mil crianças que estão em orfanatos ucranianos. A atenção está particularmente focada em instituições localizadas no oeste da Ucrânia, a zona mais atingida pela invasão russa. "Decidimos responder à crise na Ucrânia e fornecer abrigo aos mais vulneráveis no nosso país", disse o diretor da instituição, Marcin Izycki, citado pela AFP. O primeiro grupo, com cerca de trezentas crianças, deverá chegar à Polónia durante esta quarta-feira.

"Putin não faz ideia do que aí vem"

Enquanto as sirenes voltavam a tocar em Kiev, esta madrugada, Joe Biden deixava um aviso a Vladimir Putin: a Rússia pagará "a longo prazo" pela invasão da Ucrânia, que já se prolonga há uma semana.

O presidente dos Estados Unidos aproveitou o discurso mais importante do ano - o Estado da União - para anunciar o encerramento do espaço aéreo a todos os aviões russos. Biden prometeu "ir atrás" das elites russas e defender o povo ucraniano, cuja resistência elogiou. Porém, advertiu que os EUA não estão na Europa para entrar na guerra da Ucrânia, mas para defender "cada centímetro de território da NATO". Com a coligação das democracias, o "ditador russo" está "mais isolado do que nunca".

Num discurso que foi testemunhado pessoalmente pela embaixadora da Ucrânia em Washington, que estava sentada à direita da primeira-dama, Jill Biden, e que foi alvo de uma ovação de pé de todos os presentes, o presidente norte-americano elogiou a determinação “de ferro” dos ucranianos. “Putin fez um terrível erro de cálculo”, achou que invadiria a Ucrânia e “o mundo rebolaria”. No entanto, deparou com “um muro de força que nunca imaginou que enfrentaria: o povo ucraniano”. “Nós nos EUA estamos do lado do povo ucraniano”, prometeu Biden.

Perante o avançar do conflito, há novas empresas a aderir às sanções do Ocidente: a Boeing, empresa norte-americana de fabrico de aviões e de desenvolvimento aeroespacial e de defesa, anunciou que vai suspender o apoio a companhias aéreas russas. Também a petrolífera norte-americana ExxonMobil anunciou que vai sair do último grande projeto na Rússia e deixar de investir no país, seguindo o exemplo de numerosos concorrentes internacionais, na sequência de invasão russa da Ucrânia. Em nome de um consórcio que inclui filiais da empresa russa Rosneft, uma sociedade indiana e uma companhia japonesa, a ExxonMobil assegura a gestão, desde 1995, do projeto Sakhalin-1, no leste do país e a norte do Japão, do qual possui 30%.

China já fala em “guerra” e condena ataques russos a civis

O governo chinês está a endurecer a linguagem em relação à Rússia. Numa publicação, o Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, mostrou-se "extremamente preocupado" com os danos causados pelos ataques russos a civis na Ucrânia. Um aviso que coincide com uma mega-operação das autoridades chinesas para retirar da Ucrânia milhares de cidadãos chineses que vivem naquele país e deixaram de ter condições de segurança.

Para além disso, o governante chinês referiu-se à situação entre os dois países como uma “guerra”, deixando de usar a linguagem de Moscovo, que continua a referir-se a uma “operação militar especial”. Wang Yi, falou ao telefone com o seu homólogo ucraniano, Dmytro Kuleba, que pediu para que a China possa mediar um novo processo negocial. Kuleba garantiu que a Ucrânia está disposta a reforçar a comunicação com a China e que aguarda com expetativa a "mediação da China para a realização do cessar-fogo".

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já mataram mais de 350 civis, incluindo crianças, segundo Kiev. A ONU deu conta de mais de 100 mil deslocados e mais de 660 mil refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia.

O presidente russo, Vladimir Putin, justificou que a "operação militar especial" na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de a Rússia se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções para isolar ainda mais Moscovo

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