Papa Francisco ofereceu-se para ir a Moscovo mas Putin nem lhe respondeu (e revela o plano da Rússia para o fim da invasão)

3 mai, 09:24
Papa Francisco

Sumo Pontífice fez várias revelações durante uma entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, incluindo que ligou a Zelensky no primeiro dia de guerra e que a última vez que falou com Putin foi no seu aniversário

O Papa Francisco diz que está pronto para se reunir com Vladimir Putin em Moscovo e revela que o primeiro-ministro húngaro, Victor Orban, lhe disse que o presidente russo planeia terminar a invasão da Ucrânia a 9 de maio – o Dia da Vitória da Rússia. 

"Orban, quando o conheci (no final do mês de abril), disse-me que os russos têm um plano, que tudo terminará a 9 de maio", contou o Papa, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, publicada esta terça-feira.

Por essa razão, o Sumo Pontífice acredita que a data "também explicaria a velocidade da escalada destes dias". "Porque agora não é apenas o Donbass, é a Crimeia, é Odessa, está a tirar o porto do Mar Negro à Ucrânia, é tudo".

"Não há vontade de paz suficiente", concluiu. "Sou pessimista, mas devemos fazer todos os gestos possíveis para parar a guerra".

Papa ligou a Zelensky, mas não a Putin

Na mesma entrevista, o Santo Padre revelou ter ligado para o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, logo no primeiro dia da invasão russa. Porém, com o presidente russo, Francisco diz que a última vez que falou com ele foi no seu aniversário, em dezembro.

“No primeiro dia da guerra, liguei para o presidente Zelensky. Putin, em vez disso, não lhe liguei. Ouvi-o em dezembro no meu aniversário, mas, desta vez, não, não liguei”, contou.

O Pontífice disse que queria enviar um gesto claro para todo o mundo e recorda na entrevista que foi visitar o embaixador russo para pedir que as tropas russas parassem imediatamente o conflito. Em simultâneo, Francisco disse ter dado a ordem a um cardeal para enviar a mensagem de que o Papa está disposto a ir a Moscovo falar com Vladimir Putin. 

“Eu queria dar um gesto claro para o mundo inteiro ver e por isso fui ao embaixador russo. Pedi que explicassem, eu disse ‘por favor, parem’. Então pedi ao Cardeal Parolin, depois de vinte dias de guerra, que enviasse a Putin a mensagem de que estava disposto a ir a Moscovo”, revelou Francisco.

No entanto, o Sumo Pontífice diz que ainda aguarda uma resposta do presidente russo, mas receia que Putin "não possa, nem queira fazer um encontro nesta altura".

O Papa conta ainda que o Patriarca Ortodoxo russo Kirill "não se pode tornar no menino do altar de Putin". 

Já sobre a NATO, Francisco diz que Moscovo reagiu "a ladrar à porta da Rússia".

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