Míssil russo tem capacidade para transportar múltiplas ogivas (convencionais ou nucleares) e é capaz de atingir vários alvos em cada lançamento. Até hoje, Putin garante que nenhum sistema é capaz de o intercetar
A Rússia voltou a anunciar que lançou um míssil Oreshnik contra território ucraniano. Neste artigo explicamos-lhe porque é que este é um míssil especial e de que forma é que Moscovo está a tentar emitir um aviso de cada vez que o utiliza, ao contrário do que acontece com as outras armas que tem.
O que é o Oreshnik?
Comecemos pelo nome do míssil: Oreshnik, que em tradução livre para português significa aveleira, a árvore que dá avelã. Apesar de a escolha do nome nunca ter sido oficialmente justificada pelo Kremlin, várias fontes especulam que pode estar associada a uma “chuva de avelãs”, porque o Oreshnik tem a capacidade de transportar múltiplas ogivas capazes de atingir simultaneamente diferentes alvos.
O Oreshink é um míssil balístico hipersónico de fabrico russo e com alcance intermédio. Em cenário real, tinha sido utilizado apenas uma vez contra a Ucrânia, em novembro de 2024. Fontes ucranianas avançaram à agência Reuters, que, na prática, este primeiro lançamento foi “um teste”. No caso do ataque da madrugada desta sexta-feira, e caso se confirme que a Rússia utilizou ogivas explosivas, terá sido a primeira vez que esta arma foi usada com uma real intenção destrutiva. Moscovo já anunciou que atacou “infraestruturas críticas na Ucrânia”, mas ainda não é claro qual a verdadeira extensão dos danos provocados.
O que há de especial neste míssil?
A principal característica diferenciadora do Oreshnik é a capacidade de transportar múltiplas ogivas simultaneamente e, por consequente, conseguir atingir diferentes alvos com um único míssil. Esta é uma característica que até à criação desta arma russa era exclusiva dos mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) de longo alcance.
O Oreshnik foi criado tendo por base o míssil RS-26 Rubezh, que foi originalmente desenvolvido pelas Forças Armadas russas para ser um míssil intercontinental.
Entre as múltiplas ogivas, o Oreshnik tem a capacidade de transportar ogivas convencionais ou nucleares. Até ao momento, nada faz querer que tenha sido utilizado qualquer complemento nuclear no ataque contra solo ucraniano.
No ataque de novembro de 2024, a Ucrânia denunciou que o míssil levou cerca de 15 minutos até atingir o alvo depois de ter sido lançado do sul da Rússia, tendo alcançado uma velocidade de aproximadamente 13.600 km/h.
Putin tem anunciado que nenhum tipo de defesa antiaérea é capaz de intercetar o Oreshnik e que o míssil tem um potencial destrutivo similar ao de uma arma nuclear, mesmo quando está equipado apenas com ogivas convencionais.
No Ocidente, os especialistas militares tendem a concordar que as alegações do Kremlin são exageradas.
A Rússia começou a produção em série do Oreshnik em 2024. O Kremlin também já anunciou que deslocou exemplares para a Bielorrússia.
O que mudou para a Rússia o ter voltado a usar?
As Forças Armadas da Rússia já justificaram o uso do Oreshnik. Moscovo refere que esta foi a resposta russa ao ataque ucraniano com drones realizado no final do ano de 2025 contra uma das residências de Vladimir Putin, em Novgorod, no norte da Rússia. Até ao momento, Kiev continua a rejeitar a autoria do ataque e acusa a Rússia de ter realizado uma missão de falsa bandeira.
Em sucessivas ocasiões, Vladimir Putin já ameaçou que iria voltar a usar Oreshnik contra a Ucrânia. O ataque desta madrugada teve como alvo a região de Lviv, no oeste da Ucrânia, que faz fronteira com a Polónia, membro da NATO. Face à proximidade do território dos aliados, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, classificou o ataque como uma "ameaça global" que exige uma resposta imediata.
O ataque acontece na mesma semana da cimeira em Paris da Coligação dos Dispostos e numa altura em que Donald Trump tenta persuadir a assinatura de um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia.