Onde estão os norte-coreanos enviados para ajudar a Rússia? Há semanas que ninguém os vê na linha da frente

CNN , Kosta Gak, Victoria Butenko e Lauren Kent
31 jan 2025, 16:17

Há várias semanas que as tropas norte-coreanas não são vistas na linha da frente na região russa de Kursk, confirmou um militar ucraniano, numa altura em que há vários relatos de baixas em massa entre as forças de Pyongyang.

“A presença de tropas da Coreia do Norte não é observada há cerca de três semanas e, provavelmente, foram forçadas a retirar depois de sofrerem pesadas perdas”, referiu à CNN o porta-voz das Forças de Operações Especiais do exército ucraniano, o coronel Oleksandr Kindratenko.

Segundo o conselheiro presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak, esta notícia vem na sequência de relatos de que algumas unidades norte-coreanas foram retiradas da linha da frente após perdas significativas.

Cerca de 12 mil soldados norte-coreanos foram enviados para a Rússia, segundo as autoridades ucranianas e os serviços secretos ocidentais, que afirmam que cerca de quatro mil desses soldados foram mortos ou feridos.

As tropas norte-coreanas foram destacadas para Kursk pelo menos desde novembro para repelir a incursão da Ucrânia na região fronteiriça do sul da Rússia.

“Ainda estamos na região de Kursk... as forças russas não foram suficientes para nos expulsar”, afirmou o presidente ucraniano Zelensky na semana passada, durante um discurso em Davos, na Suíça. Zelensky referiu que havia 60 mil tropas russas em Kursk e 12 mil norte-coreanos.

Zelensky disse também que um terço das tropas norte-coreanas tinha sido morto.

A CNN já noticiou anteriormente as táticas brutais e quase suicidas dos soldados norte-coreanos, que, em alguns casos, detonaram granadas em vez de serem capturados pelas forças ucranianas e escreveram, no campo de batalha, juras de fidelidade ao líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un.

Um comandante do 6.º regimento das Forças de Operações Especiais, que não quis dar o seu nome por razões de segurança, disse à CNN que, apesar de os soldados norte-coreanos serem “todos jovens, treinados e resistentes”, não teriam enfrentado drones em combate. “Na melhor das hipóteses, eles estão preparados para a realidade da guerra em 1980”, apontou.

Outro militar do batalhão disse à CNN que os norte-coreanos mostraram boa pontaria ao abater drones a uma distância de cerca de 100 metros, o que sugere um elevado nível de formação na Coreia do Norte.

No entanto, a Rússia parece estar a utilizar as tropas como soldados rasos, utilizando-as para levar a cabo ataques terrestres em massa, apesar das grandes perdas em Kursk.

A Ucrânia fez recentemente progressos em Kursk, de acordo com uma atualização do campo de batalha do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um grupo de reflexão com sede em Washington DC, de 26 de janeiro. Entretanto, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou no início desta semana que as forças russas recapturaram a aldeia de Nikolayevo-Daryino, na região de Kursk, que fica na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia.

Uma fotografia mostra uma cela onde se encontrava um alegado soldado norte-coreano depois de ter sido capturado pelo exército ucraniano em 11 de janeiro de 2025. No início deste mês, a Ucrânia capturou dois soldados norte-coreanos em Kursk (Presidência da Ucrânia/Anadolu/Getty Images via CNN Newsource)
A capa de um manual de primeiros socorros intitulado “Ministério da Defesa da Federação Russa, Tratamento Médico de Emergência (Primeiros Socorros), Primeiros socorros auto-administrados (código QR)/ 2024”, encontrado num soldado norte-coreano na região de Kursk, fotografado numa base militar ucraniana (Ed Ram/For The Washington Post/Getty Images via CNN Newsource)

Nem Moscovo nem Pyongyang reconheceram oficialmente a presença de tropas norte-coreanas na Rússia.

No ano passado, meses antes do destacamento de norte-coreanos para a Rússia, o líder norte-coreano Kim Jong-un e o presidente russo Vladimir Putin assinaram um pacto de defesa histórico e comprometeram-se a utilizar todos os meios disponíveis para prestar assistência militar imediata em caso de ataque do outro.

O pacto é o acordo mais significativo assinado pela Rússia e pela Coreia do Norte em décadas e tem sido visto como uma espécie de renascimento do seu compromisso de defesa mútua da era da Guerra Fria de 1961.

Nick Paton Walsh, Rebecca Wright, Daria Tarasova-Markina, Brice Laine e Helen Regan, da CNN, contribuíram para esta reportagem

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