O superiate que vale milhões e que toda a gente diz pertencer a Putin

23 mar 2022, 11:03

A história de um dos iates mais caros e luxuosos do mundo, mas cujo dono é oficialmente desconhecido

Tem tanto de tamanho como de mistério. Com 140 metros de comprimento e seis andares, é impossível o superiate Scheherazade passar despercebido, mas, pelos vistos, o dono tem conseguido fazê-lo. O iate está há meses atracado na Marina di Carrara, na Toscânia, em Itália, e mesmo que muita gente acredite que seja de Vladimir Putin, na verdade, ninguém sabe a quem pertence.  

Ao jornal The Guardian, Suzy Dimitrova, dona de um dos barcos que se encontram nesta marina, disse: "Este é o maior iate que alguma vez vi. Existe um grupo de pessoas que está constantemente a limpá-lo. A última vez que o vi sair daqui foi o ano passado. Toda a gente se questiona sobre quem será o dono". 

Há relatos de moradores, ao New York Times, que dizem que já ouviram pessoas a falar russo. "Toda a gente o chama de 'iate do Putin'. É um boato que circula há meses", contou Ernesto Rossi.

Como as suspeitas são de que pertença ao presidente da Rússia ou a algum oligarca russo, as autoridades italianas abriram uma investigação para apurar quem é o verdadeiro dono do luxuoso Scheherazade, que está avaliado em 700 milhões de dólares (cerca de 635 milhões de euros).

No início do mês, o jornal italiano La Stampa revelou que este superiate estava ligado a Eduard Yurievich Khudainatov, ex-presidente da petrolífera estatal russa Rosneft, em nome de uma empresa offshore anónima nas Ilhas Marshall. No entanto, a polícia italiana tem a certeza que Eduard não é o verdadeiro dono: "Parece ser apenas um homem ligado ao círculo íntimo de Putin, mas não com uma riqueza tão grande para ter um iate como o Scheherazade", explicou Jacopo Iacoboni, jornalista responsável por esta investigação. 

A tripulação que trabalhava para o Serviço Federal de Proteção da Rússia e que foi substituída

O opositor Alexei Navalny - entretanto condenado a nove anos de prisão - sempre disse que este iate pertencia a Vladimir Putin. Entretanto, uma jornalista de investigação russa, Maria Pevchikh, e o ativista anticorrupção, Georgy Alburov, tiveram acesso a uma lista, com a data de dezembro de 2020, na qual constavam os nomes de toda a tripulação.

Num vídeo no Youtube, explicam que eram todos russos à exceção do capitão, Guy Bennett-Pearce. Alguns deles trabalhavam para o Serviço Federal de Proteção da Rússia. 

Maria Pevchikh tem, através da sua conta no Twitter, mantido os seus seguidores a par de todos os novos desenvolvimentos sobre este tema. Garantiu ter conseguido falar com um dos elementos da tripulação, que lhe terá confirmado que o proprietário é, efetivamente, o presidente da Rússia. Mas numa entrevista ao New York Times, o capitão Guy Bennett-Pearce negou que fosse Putin o propretário. Disse até que nunca o tinha visto naquele iate: "Nunca o vi. Nunca o conheci". No entanto, nunca negou que o dono pudesse ser russo. 

Numa outra publicação, Maria deu conta que, de acordo com a imprensa italiana, a tripulação russa tinha sido toda "renovada" por uma tripulação britânica. 

No interior deste superiate existe, supostamente, um spa, piscinas, lareira, uma mesa de bilhar, uma pista de dança, um ginásio totalmente equipado e, nas casas de banho, os acessórios são, alegadamente, banhados a ouro. Nas fotos do exterior é possível ver-se ainda dois heliportos (áreas destinadas para a aterragem e descolagem de helicópteros).

"Não sejam um resort para assassinos", o apelo de Zelensky

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu, num discurso no parlamento italiano, esta terça-feira, que a justiça do país apreenda este iate e não deixe que os oligarcas russos ou a elite russa possam passar férias em Itália. "Não sejam um resort para assassinos. Bloqueiem todos os imóveis, contas e iates - do Scheherazade aos mais pequenos", apelou. 

A Marina di Carrara fica perto do Forte dei Marmi, um dos destinos favoritos de férias dos oligarcas russos. Muitos deles compraram vilas e resorts junto à praia. 

A última visita oficial de Vladimir Putin a Itália foi em 2019, a convite do primeiro-ministro da altura: Giuseppe Conte. Neste visita, o presidente da Rússia também se encontrou com o Papa Francisco no Vaticano. 

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