A União Europeia tem estado atenta ao que se passa no Mar Negro e vai investir 75 mil milhões de euros para a modernização de infraestruturas regionais como portos, ferrovias e aeroportos, de modo a facilitar as movimentações de tropas e equipamentos militares pesados
A União Europeia apresentou, esta quarta-feira, o novo plano estratégico de larga escala para a defesa do Mar Negro. O objetivo de Bruxelas passa por melhorar a capacidade europeia de transporte de equipamentos militares pesados na região, tendo em conta o aproximar da ameaça russa no leste da Europa, avança o Politico.
Kaja Kallas lembra que “a segurança no Mar Negro é vital para a segurança europeia”. Em conferência de imprensa, a vice-presidente da Comissão Europeia refere que, neste momento, a região está a ser minada pela guerra do Kremlin e pelos seus ataques híbridos contra infraestruturas marítimas.
Marta Kos, comissária europeia para a Ampliação e Política de Vizinhança, classifica esta nova estratégia como uma resposta aos “desafios geopolíticos” de um mundo onde as “dependências estão a ser utilizadas como armas”.
Bruxelas diz que este plano é motivado pela desestabilização presente atualmente na região, que tem tido um impacto direto no fluxo de mercadorias, mas é também uma resposta ao medo dos países da Europa Oriental perante eventuais novas agressões de Moscovo.
Os países mais impactados pelo anúncio de Bruxelas são a Roménia e a Bulgária, ambos com costa no Mar Negro.
De acordo com Kaja Kallas, a União Europeia pretende investir na modernização das infraestruturas regionais como portos, ferrovias e aeroportos, para facilitar as movimentações de tropas e equipamentos militares pesados.
“Isso ajudará a garantir que as tropas possam estar onde são necessárias, quando são necessárias”, refere Kallas.
Segundo o comissário europeu para os Transportes, Apostolos Tzitzikostas, o plano deverá custar cerca de 75 mil milhões de euros e tem como objetivo modernizar as infraestruturas de transportes para uso militar em toda a Europa.
Para além do investimento em infraestruturas de defesa, a União Europeia vai criar um Centro de Segurança Marítima do Mar Negro, que servirá como sistema de alerta europeu na região.
Kallas acredita que o centro vai fortalecer a capacidade de monitorização na região e ajudará os Estados-membros a protegerem as infraestruturas críticas. A localização do centro, o modelo operacional e os custos ainda estão por determinar.
Outra das medidas apresentadas passa pela monitorização da propriedade estrangeira de portos e outras instalações importantes.
Bruxelas quer ainda preparar as comunidades costeiras e a Economia Marítima da Europa para lidar com os danos ambientais derivados da guerra e com os riscos das alterações climáticas.
A nível de comércio, Bruxelas quer criar corredores energéticos, ligações de transporte e infraestruturas digitais que unam os parceiros europeus regionais. A Comissão Europeia destaca Ucrânia, Moldova, Geórgia, Turquia, Arménia e Azerbaijão como parceiros com os quais pretende estreitar laços através de novas parcerias estratégicas.