O ataque a uma prisão (com acusações dos dois lados) num dia em que Washington e Moscovo voltaram a falar. O que se passa na guerra da Ucrânia

29 jul, 19:44
Ataque à prisão de Olenivka (AP)

Rússia e Ucrânia lançam investigações a ataque que fez 40 mortos, Estados Unidos avisam Moscovo sobre acordo de cereais e ainda falam dos prisioneiros norte-americanos

A morte de pelo menos 40 prisioneiros que estavam numa prisão da região de Donetsk está a motivar uma troca de acusações entre Rússia e Ucrânia. Moscovo, que fala em 40 mortos e 75 feridos, disse que o ataque foi conduzido pelas forças ucranianas com recurso a sistemas HIMARS, mísseis que foram fornecidos pelos Estados Unidos. Kiev, que diz que morreram 40 pessoas e 130 ficaram feridas, negou a responsabilidade do ataque, afirmando que a Rússia atacou a prisão para esconder que os reclusos estavam a ser “torturados e assassinados”.

Se do lado da Rússia, pela voz do porta-voz do Ministério da Defesa, se fala em “provocação sangrenta”, a Ucrânia, através do ministro da Defesa, classificou o caso como um “crime de guerra bárbaro”.

Os dois lados falam do ataque a Olenivka, na zona controlada pelos separatistas pró-russos de Donetsk, com ambos os lados a darem informações contraditórias. Uma televisão russa mostrou aquilo que diz serem restos de mísseis HIMARS, enquanto os serviços secretos ucranianos garantem ter intercetado chamadas em que “os ocupantes confirmam que as tropas russas são culpadas pela tragédia”.

Não sendo ainda possível perceber exatamente qual a verdadeira versão, sabe-se que Rússia e Ucrânia abriram investigações criminais às mortes ali ocorridas. A Procuradoria-geral da Ucrânia está a investigar um “ataque do Estado que ocupa o território”, enquanto os separatistas pró-russos disseram que o Comité de Investigação da Rússia investiga o “ataque de nacionalistas ucranianos”.

Washington e Moscovo voltam a falar

Tudo isto num dia em que o secretário de Estado dos Estados Unidos falou diretamente com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, naquele que é um dos mais altos contactos entre os países em muito tempo.

Antony Blinken abordou Sergei Lavrov pela primeira vez desde a invasão à Ucrânia, tendo como objetivo falar sobre as detenções de dois cidadãos norte-americanos: Paul Whelan e a jogadora de basquetebol Brittney Griner.

Descrevendo a chamada como uma “conversa franca e direta”, Antony Blinken abordou a possibilidade de os dois norte-americanos serem trocados por Viktor Bout, traficante de armas russo cujo nome foi colocado em cima da mesa por Moscovo.

Não dando mais informações sobre a conversa, o responsável norte-americano referiu apenas que a questão dos cereais também foi abordada na conversa, aproveitando Antony Blinken para fazer passar a mensagem de que é importante que a Rússia cumpra o acordo alcançado em Istambul. O mais alto diplomata norte-americano aproveitou ainda para reafirmar a posição sobre a invasão, dizendo que os Estados Unidos não vão aceitar anexações de regiões ucranianas, como se teme que venha a acontecer em Kherson e Zaporizhzhia.

Cereais esperam pela ONU

A Ucrânia garante que tem tudo pronto para começar a exportação de cereais a partir dos seus portos na região de Odessa, estabelecida em Istambul como a zona a partir da qual embarcações ucranianas poderão sair em segurança pelo Mar Negro.

O ministro das Infraestruturas referiu, numa visita em que também esteve o presidente da Ucrânia, que "espera receber aprovação das Nações Unidas" para confirmar os corredores de segurança pelos quais os navios podem passar.

"Estamos prontos para começar. Esperamos que pelo fim da semana o primeiro navio deixe os nossos portos", afirmou Oleksandr Kubrakov.

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