Norte-coreanos não percebem os russos e estão a morrer às centenas. Mesmo assim Kim Jong-un prepara-se para dar mais soldados a Putin

24 jan 2025, 14:57
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Informações sul-coreanas apontam para a preparação de Pyongyang de novo envio de tropas

Dos cerca de 11 mil soldados que a Coreia do Norte enviou para ajudar a Rússia a libertar a região de Kursk, onde a Ucrânia tem presença desde o início de agosto, perto de quatro mil já morreram ou ficaram feridos.

Os números mais recentes são do Ministério da Defesa do Reino Unido, que aponta que mais de um quarto dos soldados enviados estão agora inoperacionais. Desses, acrescenta a mesma fonte, mil morreram em combate.

Mesmo perante estes números, a Coreia do Norte prepara-se para enviar mais soldados para combater a guerra da Rússia, uma guerra que muitos dos norte-coreanos que lá chegam não sabem porque existe - alguns nem sabem que estão numa guerra e pensam estar num cenário de treino, conforme confirmaram dois soldados capturados pela Ucrânia (ver vídeo associado ao artigo).

De acordo com informações das secretas da Coreia do Sul, Pyongyang prepara mesmo um reforço da ajuda a Moscovo, numa decisão que ganhou força já depois de o presidente Donald Trump ter dito que quer reatar as relações com Kim Jong-un, que descreveu como um “tipo esperto”, em entrevista à Fox News.

O exército da Coreia do Sul confirmou esta sexta-feira que, depois de quatro meses em combate, a Coreia do Norte viu grande parte dos seus soldados serem mortos ou feridos. Agora suspeita-se de uma “aceleração de novas medidas e da preparação para o envio de mais tropas”, de acordo com as informações avançadas.

“Apesar das baixas significativas nos combates em Kursk, as tropas da Coreia do Norte só conseguiram ganhos táticos”, escreve a última atualização do Reino Unido, que fala em “dificuldades interoperacionais” entre as forças russas e norte-coreanas.

“As duas forças não partilham um idioma comum e as tropas norte-coreanas estão a enfrentar dificuldades em integrar-se na estrutura de comando e controlo da Rússia”, acrescenta o governo britânico.

A Coreia do Norte começou a enviar tropas para a guerra da Rússia em outono, meses depois de Vladimir Putin e Kim Jong-un terem acordado um pacto de defesa que previa um fortalecimento da aliança que se opõe à "hegemonia do Ocidente", e que é liderada pelos Estados Unidos.

Percebendo-se as dificuldades desde o início - os russos chegaram a gozar dos soldados norte-coreanos -, parece haver uma continuidade na dificuldade de garantir que as tropas da Coreia do Norte têm uma ação efetiva no terreno. É que, além de todos os problemas apontados, os soldados norte-coreanos chegaram a Kursk sem qualquer tipo de preparação para uma guerra moderna, acabando por adotar táticas que se revelam obsoletas na atualidade.

Com o envio de novas tropas para a Rússia, a Coreia do Norte espera vir a conseguir obter mais tecnologia russa, nomeadamente mísseis e satélites, o que permitirá o desenvolvimento das capacidades militares de Pyongyang.

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