Noite sangrenta durante negociações para a paz: chuva de drones e mísseis matam sete pessoas na Ucrânia e três na Rússia

CNN , Natasha Bertrand, Lex Harvey
25 nov, 11:52
25 de novembro de 2025, três pessoas morreram na região de Rostov, na Rússia, em ataques massivos da Ucrânia. Genya Savilov/AFP/Getty Images

Enquanto EUA e Rússia negoceiam a paz em Abu Dhabi, a Ucrânia sofre - e desfere - ataques mortais

Negociações visam estabelecer as bases para compromissos de nível superior no futuro

O secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, realizou reuniões com autoridades russas em Abu Dhabi esta segunda-feira, sobre um plano proposto para acabar com a guerra na Ucrânia, com as negociações a continuarem na terça-feira, segundo confirma uma autoridade americana à CNN.

As reuniões, que se seguem a dias de intensos esforços diplomáticos, enquanto os EUA fazem uma nova tentativa para encontrar uma solução para a guerra, ocorreram enquanto a Rússia e a Ucrânia realizavam ataques mortais uma contra a outra durante a noite de terça-feira, com pelo menos seis mortos na capital ucraniana, Kiev, e três mortos na região russa de Rostov.

As conversações com a Rússia, realizadas após as conversações entre os EUA e a Ucrânia no fim de semana em Genebra, têm como objetivo estabelecer as bases para compromissos de nível superior no futuro, disse a mesma autoridade, acrescentando que a delegação russa está a participar com a aprovação do presidente russo, Vladimir Putin.

Driscoll é o membro mais graduado da delegação americana em Abu Dhabi, excluindo diplomatas, segundo a mesma fonte. A composição da delegação russa não ficou clara imediatamente. As discussões continuam esta terça-feira, garante o responsável.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse na segunda-feira que o presidente Donald Trump está "esperançoso e otimista de que um acordo possa ser alcançado" para acabar com a guerra da Rússia com a Ucrânia, após as negociações em Genebra sobre uma proposta de paz de 28 pontos que os EUA redigiram com a contribuição da Rússia e da Ucrânia.

A primeira versão da proposta continha muitas concessões à Rússia, incluindo disposições para que Kiev cedesse território, desistisse das suas ambições de entrar na NATO e limitasse a dimensão das suas forças armadas.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse segunda-feira que a nova proposta agora contém "menos de 28 pontos, e muitas considerações adequadas foram levadas em conta neste quadro".

A delegação ucraniana regressou a Genebra e "informou sobre o novo rascunho de medidas", disse Zelensky. "Esta é realmente a abordagem correta. Vou discutir questões delicadas com o presidente Trump."

O Kremlin não se pronunciou muito sobre o plano dos EUA, mas Putin disse que a proposta norte-americana "em princípio, poderia formar a base para um acordo de paz definitivo". E acrescentou que a versão do plano vista pela Rússia está "em consonância com as discussões" da cimeira EUA-Rússia no Alasca no início deste ano, mas não é claro se essa versão se manteve após dias de reuniões entre os EUA e a Ucrânia.

Entretanto, a Rússia continuou o seu ataque à Ucrânia, lançando 22 mísseis e 460 drones durante a noite, matando sete pessoas e ferindo 13, segundo Zelensky.

Os ataques causaram "danos extensos a edifícios residenciais e infraestruturas civis" em Kiev e tiveram como alvo "o setor energético e tudo o que mantém a vida normal", afirmou ainda Zelensky.

Duas pessoas morreram, incluindo uma mulher de 86 anos, após um incêndio num edifício residencial no distrito de Dniprovskyi da cidade, de acordo com a Polícia Nacional da Ucrânia.

Tymur Tkachenko, chefe da administração militar da cidade de Kiev, declarou que quatro pessoas também morreram no distrito de Svyatoshynskyi da cidade.

Na Rússia, três pessoas morreram e oito ficaram feridas num grande ataque com drones ucranianos, de acordo com o Ministério da Defesa da Rússia. As forças russas interceptaram e destruíram 249 drones ucranianos durante a noite, incluindo 116 que foram lançados sobre o Mar Negro, de acordo com o ministério.

O comandante da unidade militar de drones da Ucrânia, Robert Brovdi, saudou a terça-feira como a noite "mais produtiva" de Kiev em novembro, dizendo que o ataque com drones causou "danos profundos" à Rússia.

 

Svitlana Vlasova e Victoria Butenko, da CNN, contribuíram para este artigo. Foto do topo: créditos Genya Savilov/AFP/Getty Images

 

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