NATO recorda os nossos avós e bisavós num sério aviso feito à Europa

CNN , Issy Ronald
11 dez 2025, 17:40
Mark Rutte apelou aos países europeus para que aumentassem as suas despesas com a defesa (Michael Kappeler/picture-alliance/dpa/AP via CNN Newsource)

Mark Rutte antevê uma tragédia, mas também diz que ela ainda pode ser evitada

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, advertiu esta quinta-feira que os membros da aliança podem ser “o próximo alvo da Rússia”, apelando a um rápido aumento das despesas com a Defesa para evitar uma guerra semelhante às das gerações passadas.

Os comentários de Rutte, num discurso proferido na Conferência de Segurança de Munique, em Berlim, surgiram no momento em que os líderes europeus discutiam uma proposta de paz destinada a pôr fim à guerra de anos da Rússia na Ucrânia, num contexto de crescente pressão dos EUA.

“Temos de estar preparados porque os conflitos já não são travados à distância de um braço, o conflito está à nossa porta”, afirmou.

“A Rússia trouxe a guerra de volta à Europa e temos de estar preparados para a escala de guerra que os nossos avós e bisavós suportaram”.

No entanto, acrescentou, se a NATO “cumprir os seus compromissos, esta é uma tragédia que podemos evitar”.

Rutte advertiu que “a Rússia poderá estar pronta para usar a força militar contra a NATO dentro de cinco anos”.

"Demasiados são complacentes... demasiados acreditam que o tempo está do nosso lado. Não está", avisou. "O tempo para agir é agora. As despesas e a produção da defesa dos Aliados têm de aumentar rapidamente."

Em junho, os membros da NATO concordaram em aumentar as suas metas de despesa com a Defesa para 5% do seu produto interno bruto até 2035, mais do dobro da atual meta de 2% e em linha com o tipo de aumento que o presidente dos EUA, Donald Trump, exige há anos.

Rutte reconheceu que “até certo ponto, na Europa, teremos de cuidar mais da nossa própria Defesa”, mas também procurou sublinhar o compromisso dos EUA com a NATO. Os seus comentários surgiram depois de a administração Trump ter divulgado a sua Estratégia de Segurança Nacional, que adotou uma postura de confronto sem precedentes em relação à Europa.

“É crucial que mantenhamos os laços transatlânticos tal como estão hoje”, disse, salientando que “não se pode defender os EUA sem um Atlântico seguro e é preciso a NATO para manter o Atlântico seguro”.

Rutte elogiou Trump por ter iniciado as conversações sobre a Rússia e a Ucrânia, dizendo a Fred Pleitgen, da CNN, que o presidente dos EUA era “o único que poderia quebrar o impasse com [o presidente russo Vladimir] Putin”.

Nas últimas semanas, Trump mostrou-se impaciente para chegar a um acordo, enquanto os europeus se mostraram mais cautelosos, procurando garantias de segurança e mais discussões sobre quaisquer concessões territoriais.

“Tem de haver garantias de segurança (para a Ucrânia) de tal qualidade e nível que Putin saiba que, se voltar a tentar, a reação será devastadora”, disse Rutte.

“Todos sabemos que vai haver uma discussão delicada e difícil sobre o território, que no final só os ucranianos podem decidir”, acrescentou.

Entretanto, a Rússia apelou ao Reino Unido para que “admita” o que um soldado britânico que morreu na Ucrânia estava a fazer no país, insinuando, sem provas, que as forças britânicas estavam a desempenhar mais do que as suas funções divulgadas publicamente no país.

O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou esta quarta-feira que o soldado morreu “na sequência de um trágico acidente enquanto observava as forças ucranianas a testar uma nova capacidade defensiva, longe das linhas da frente”.

Anna Cooban, Anna Chernova e Fred Pleitgen, da CNN, contribuíram para esta reportagem

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