Mais de 800 drones foram disparados e Kiev prepara-se para lidar também com mísseis. A partir de Bucareste, Volodymyr Zelensky anuncia seis mortos
Drones, drones e mais drones. No campo de batalha e no campo das negociações, esta quarta-feira está a ser marcada pela arma que revolucionou a guerra na Ucrânia.
Enquanto o presidente ucraniano negociava em Bucareste, na Roménia, acordos comerciais militares - alcançou-os com Lituânia e Letónia -, a Rússia tinha em curso um dos maiores ataques de sempre com estes veículos não-tripulados.
De acordo com Volodymyr Zelensky, mais de 800 drones foram lançados numa série de vagas de ataques contra a Ucrânia, havendo já seis mortos a registar.
Numa publicação feita na sua conta da rede social X, o presidente da Ucrânia afirmou que “dezenas de pessoas estão feridas, incluindo crianças” naquele que é “um dos ataques russos mais maciços”.
“Ao longo de todo o dia, os russos têm estado a lançar vagas de Shaheds contra as nossas regiões - e, em particular, a alvejar deliberadamente as regiões mais perto dos países da NATO”, escreveu.
“Desde as 00:00, pelo menos 800 drones russos já foram lançados, e o ataque está em curso, com mais drones a entrarem no nosso espaço aéreo”, reiterou, admitindo que o pior pode estar para vir, até porque se admite o lançamento de mísseis.
Declarações feitas quando Volodymyr Zelensky participava na Cimeira dos Nove - grupo formado em 2015 depois do início da guerra no Donbass e da anexação da Crimeia -, em Bucareste, onde a Ucrânia foi figura central, até porque alcançou acordos com vários países na área da defesa.
Em espaço da NATO, o presidente ucraniano encontrou-se com responsáveis da Chéquia, Bulgária, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Roménia e Eslováquia, todos países que fizeram parte da União Soviética ou do Pacto de Varsóvia, mas que, entretanto, aderiram à Aliança Atlântica.
Talvez também por isso, países como a Eslováquia e a Polónia tomaram medidas para lidar com o ataque russo. Bratislava anunciou o encerramento das fronteiras, temendo ataques específicos nas zonas de Uzhhorod e Zakarpattia, a 50 quilómetros do país.
Em paralelo, Varsóvia destacou a Força Aérea para acompanhar os ataques, tendo acabado por chamar de volta os seus caças depois de várias horas sem qualquer incidente.
Embora a Rússia ainda não tenha dado grande informação sobre o ataque, o conselheiro de Vladimir Putin já anunciou que 23 infraestruturas ferroviárias estão entre os alvos.
