“Não vou abandonar a minha casa”. Ainda há mais de 500 civis em Soledar, mas é "impossível" retirá-los

Pedro Falardo , artigo atualizado às 11:06
13 jan, 10:06
Soledar (AP Photo/Libkos)

Governo ucraniano fala em "noite dura" na pequena cidade da região de Donetsk

A difícil batalha por Soledar, cidade a 10 quilómetros de Bakhmut, não dá sinais de abrandar.

Na manhã desta sexta-feira, contudo, a vice-ministra da Defesa, Hanna Malyar, afirmou que a noite foi “dura” na localidade da região de Donetsk, e que as tropas de Kiev estão "corajosamente" a defender a cidade.

"O inimigo enviou quase todas as forças principais para a direção de Donetsk e mantém uma elevada intensidade na sua ofensiva. Esta é uma fase difícil da guerra, mas vamos ganhar esta guerra. Não há dúvida", escreveu a governante no Telegram.

Esta informação contraria a avançada pelo Ministério da Defesa da Rússia, também esta sexta-feira, que garantiu que as forças do país tinham conquistado a cidade na quinta-feira à noite. "O estabelecimento de controlo total sobre Soledar torna possível cortar as rotas de abastecimento das tropas ucranianas na cidade de Artemovsk [Bakhmut], no sudoeste", afirmou o porta-voz Igor Konashenkov, citado pela TASS

Nos últimos dias, as autoridades ucranianas têm expressado preocupação pelos civis que ainda permanecem na cidade. Pavlo Kyrylenko, líder da administração militar regional de Donetsk, afirmou à televisão local que quase 559 civis, entre os quais 15 crianças, ainda permaneciam em Soledar, e lamentou ser “impossível” conseguir retirá-los. Num briefing anterior, Kyrylenko tinha dado conta de 523 pessoas na cidade, a maioria “com mais de 50 anos de idade”.

"Não será correto se eu disser que eles não querem sair agora. Estamos a fazer o nosso melhor para ajudar as pessoas a partir, mas uma evacuação da cidade é irrealista neste momento. A retirada será retomada quando for possível chegar e sair num transporte especial", garantiu, citado pela CNN Internacional.

Por sua vez, a Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que há mais de 7500 civis em Soledar e Bakhmut, mas salienta que as hipóteses de retirada e assistência são bastante reduzidas devido aos constantes bombardeamentos russos.

“Com casas e infraestruturas destruídas ou gravemente danificadas, as pessoas procuram proteção em abrigos. Devido aos duros combates, a capacidade de prestar assistência ou retirar os moradores remanescentes é muito limitada” disse o porta-voz da instituição Stephane Dujarric, citado pela Lusa.

À CNN Internacional, Ira, uma das pessoas que permanece nos arredores de Soledar, afirma que continua na sua aldeia para cuidar da mãe e dos seus animais.

“Não partiremos. Só morremos uma vez e não vou abandonar a minha casa”, conta. A mãe, Ludmila, de 81 anos, vive na região há mais de 40, e garante que a vida que tinha antes da guerra era "boa".

Ao longo desta semana, Kiev tem reiterado que ainda controla a cidade, ao passo que o Grupo Wagner, leal ao Kremlin, afirmou na terça-feira já ter assegurado o controlo de Soledar.

"As unidades do Grupo Wagner assumiram o controlo de todo o território de Soledar. Está um caldeirão no centro da cidade, no qual se travam combates urbanos", disse Yevgeny Prigozhin, líder desta força paramilitar.

Por seu turno, o presidente ucraniano salientou, na quarta-feira à noite, a “coragem” dos soldados que defendem Soledar e Bakhmut, e afirmou que os combates pelo controlo da primeira continuam. Volodymyr Zelensky prometeu ainda o envio de mais munições para a linha da frente.

“Destaco que as unidades que estão a defender estas cidades serão abastecidas com munições e tudo o que é necessário de forma pronta e ininterrupta”, disse, enaltecendo o papel da 46.ª Brigada de Assalto Aéreo na defesa de Soledar.

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