“Não estamos a hesitar, somos apenas cautelosos". Alemanha descarta culpa pelo impasse no envio dos Leopard 2 para a Ucrânia

20 jan, 18:51
Boris Pistorius (AP)

Ministro alemão da Defesa diz que Berlim está a ser apenas "cautelosa". Apesar disto, Kiev e Varsóvia mostram-se confiantes num acordo

Prossegue o impasse entre os aliados acerca do fornecimento dos carros de combate Leopard 2 à Ucrânia.

De um lado estão países como Polónia, Finlândia, Portugal e Espanha, que já mostraram disponibilidade ao governo de Kiev para enviar estes carros de combate. Do outro, o cauteloso governo de Olaf Scholz, que ainda não aprovou a reexportação deste armamento, passo obrigatório e crucial para desbloquear o processo.

No entanto, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, rejeita que Berlim esteja a empatar o envio dos Leopard 2 para a Ucrânia, alegando apenas que o governo alemão está a ser “cauteloso”. “Não estamos a hesitar, somos apenas cautelosos", disse, citado pelo Die Welt, à margem do encontro entre ministros da Defesa do Ocidente em Ramstein.

Recém-empossado no cargo, Pistorius pediu a elaboração de um inventário, para que se saiba exatamente quantos Leopard 2 existem e estão disponíveis, e frisou que “não há uma opinião unânime” entre os países reunidos quanto ao envio destes carros de combate. “Há razões a favor e contra o envio que têm de ser ponderadas”, referiu.

A relutância alemã parece não ter demovido o otimismo da Polónia. Citado pela Reuters, o ministro da Defesa de Varsóvia diz ter esperança que se alcance um acordo ainda durante o encontro em solo germânico. "A esperança decorre do facto de ministros da Defesa de 15 países se terem encontrado à margem da reunião de hoje e terem falado sobre esse tópico", disse Mariusz Blaszczak. "Estou convencido de que a construção desta coligação será bem-sucedida, tal como a questão da transferência dos sistemas Patriot para a Ucrânia foi bem-sucedida", completou.

Também confiante está o governo ucraniano. No Telegram, o chefe do gabinete presidencial de Volodymyr Zelensky, Andriy Yermak, afirmou que a Ucrânia “está a ficar mais forte” e vai “conseguir receber tudo o que até agora não recebeu”.

O chefe de Estado ucraniano também se pronunciou esta sexta-feira, perante o Grupo de Contacto reunido em Ramstein, e voltou a sublinhar que a guerra iniciada pela Rússia "não permite atrasos”. “Posso agradecer-vos centenas de vezes, mas centenas de agradecimentos não são centenas de tanques”, pode ler-se na publicação partilhada no Twitter. “A Ucrânia necessita urgentemente de armas de defesa aérea, artilharia, veículos blindados e tanques”, pediu Zelensky.

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