Vasyl Malyuk, chefe do SBU, supervisionou toda a operação, que foi preparada ao longo de "vários meses". E garante: "Nenhuma instalação ilegal da Federação Russa tem lugar no território do nosso país”
Depois da "Operação Pavutyna" (teia de aranha) no domingo, esta terça-feira houve mais uma operação secreta bem-sucedida dos serviços secretos da Ucrânia, SBU. Desta vez os alvos foram os pilares da Ponte de Kerch que liga a Península da Crimeia à Rússia.
No Telegram, o próprio SBU explica que realizou uma “nova operação especial única e atingiu a ponte da Crimeia pela terceira vez - desta vez debaixo de água”.
‼️Security Service of Ukraine reports a new attack on the Kerch bridge!
— Anton Gerashchenko (@Gerashchenko_en) June 3, 2025
The operation lasted several months. Security Service agents mined the supports of the bridge and activated the first explosive device today at 4:44 am.
The underwater supports of the bridge were severely… pic.twitter.com/MdXUPbA3hr
Tal como a "Operação Pavutyna", também este plano secreto foi preparado durante “vários meses”. “Os agentes do SBU minaram os pilares desta instalação ilegal”, explicam as secretas ucranianas, acrescentando que “não houve quaisquer vítimas civis”.
O SBU, na publicação assinada por Malyuk, explica que os pilares da Ponte de Kerch foram atingidos por 1.100 kg de explosivos semelhantes ao TNT e ficaram “gravemente danificados” na parte da infraestrutura que está submersa.
“O primeiro engenho explosivo foi ativado às 04:44 da manhã”, pode ler-se na publicação, ou seja, as explosões ocorreram às 06:44 de Lisboa.
Tal como na operação de domingo, o tenente-general Vasyl Malyuk, chefe máximo do SBU, supervisionou pessoalmente o ataque e coordenou toda a sua execução.
Este é o terceiro ataque ucraniano contra a Ponte de Kerch, depois dos que ocorreram em 2022 e 2023. “Nenhuma instalação ilegal da Federação Russa tem lugar no território do nosso país”, garante o SBU, assegurando que vão continuar com “esta tradição debaixo de água”.
“A ponte da Crimeia é um alvo absolutamente legítimo, especialmente tendo em conta que o inimigo a utilizou como uma artéria logística para abastecer as suas tropas”, argumenta ainda.
Vasyl Malyuk aproveita o sucesso operacional recente para deixar mais um aviso à Rússia: “A Crimeia é Ucrânia e quaisquer manifestações de ocupação serão objeto da nossa resposta firme.”
Este ataque secreto ocorre cerca de 48 horas depois da Operação Pavutyna, em que 117 drones escondidos no interior de camiões civis, que estavam em território russo, foram remotamente ativados e destruíram vários bombardeiros estratégicos - entre eles Tupolev-22 M3, Tupolev-95 e o Beriev A-50 - com capcidade nuclear pertencentes à Força Aérea da Rússia.
O Kremlin ainda não se pronunciou sobre este ataque, mas as autoridades russas anunciaram no Telegram a suspensão da circulação rodoviária na ponte.