Manhã explosiva no mar: drones voltam a atacar território da NATO e Ucrânia lança várias operações na Rússia

António Guimarães , Notícia atualizada às 14:43
5 jun, 12:28
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Moscovo acusa a Ucrânia de utilizar drones contra alvos civis, mas da União Europeia a condenação vai contra o Kremlin, que está a causar um "problema mais e mais direto" para os países que fazem parte da NATO

De um lado e do outro, a manhã foi explosiva no Mar Negro e arredores, com vários incidentes a relatar num dia em que a guerra voltou a chegar a território da NATO, depois de um drone marítimo ter explodido no porto de Constanta, na Roménia.

Do outro lado da costa, já no Mar de Azov - contíguo ao Mar Negro -, a Ucrânia lançou uma série de operações contra alvos estratégicos da Rússia, apanhando pelo meio cinco trabalhadores do Azerbaijão que morreram na sequência dos ataques.

Este último caso atingiu em cheio a Baía de Taganrog, já território da Rússia, onde 25 cidadãos azeris trabalhavam em dois navios cargueiros, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão.

Uma operação que se seguiu a uma outra conduzida contra os portos de Mariupol e Berdyansk, igualmente no Mar de Azov, mas em território reclamado pela Ucrânia, ainda que atualmente seja controlado pela Rússia.

O comandante das forças ucranianas de drones referiu em comunicado que os veículos não-tripulados atingiram cargueiros e até um petroleiro que estarão envolvidos no “roubo” de cereais ucranianos e na transferência de material militar, além de combustível.

Do lado russo, o Kremlin apressou-se a apresentar as suas condolências pelas vítimas, mas também a culpar a Ucrânia pelo que aconteceu. “Sabemos perfeitamente quem está a usar drones - tanto aéreos como marítimos - para atacar navios civis no Mar Negro e Mediterrâneo. É, por assim dizer, um país bem conhecido”, ironizou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Mikhail Galuzin, em declarações citadas pela agência TASS.

Drones também do outro lado

Curiosamente, pouco depois deste caso soube-se que do outro lado do Mar Negro, e já em território da NATO, um drone marítimo tinha explodido num terminal petrolífero.

Tudo aconteceu no porto de Constanta, na costa da Roménia, onde, apesar do aparato, não houve vítimas a registar, segundo o ministério romeno da Defesa, que ordenou a evacuação do porto por razões de segurança.

No local continuam buscas por eventuais drones que ainda estejam no local, confirmou o vice-ministro do Interior da Roménia, Raed Arafat. “Sabemos que há risco de autodetonação, evacuámos o local para o caso de existirem mais drones”, acrescentou, garantindo que não havia necessidade para pânico, já que as medidas são “puramente preventivas”.

A explosão no porto romeno surge apenas uma semana depois de um drone russo ter atingido um bloco de apartamentos em Galati, também na Rússia, também junto à fronteira com a Ucrânia, num caso que deixou dois feridos.

A Ucrânia informou a Roménia de que um outro drone marítimo explodiu do seu lado, sendo ambos pertencentes a um grupo de cinco, sendo que todos os outros veículos não-tripulados foram, entretanto, desativados.

Pouco depois Kiev acabaria por confirmar que o drone em questão era ucraniano, tratando-se de um veículo não-tripulado que foi desviado pela atividade eletrónica da Rússia, tendo perdido controlo, o que o fez deslocar-se para a Roménia.

Lamentando a situação, e ainda antes de se confirmar a origem do drone, a presidente da Comissão Europeia afirmou que este novo incidente na Roménia “é consequência direta da guerra levantada pela Rússia contra a Ucrânia”.

“Isto está a tornar-se um problema mais e mais direto para os países da nossa fronteira este”, afirmou Ursula von der Leyen, que prometeu uma resposta “urgente” com um investimento “maciço” na defesa contra drones.

O presidente do Conselho Europeu também veio prestar a sua “solidariedade e apoio” depois do “terceiro incidente de segurança significativo na Roménia nas últimas semanas”.

António Costa partilhou ainda as palavras de Ursula von der Leyen de que esta é uma “consequência direta” da guerra lançada pela Rússia.

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