Todos concordam que é preciso apoiar a Ucrânia, mas nem todos concordam em enviar tropas para o terreno
Começa a ganhar forma o plano do Reino Unido para a paz duradoura na Ucrânia. Kier Stramer, primeiro-ministro britânico, já lhe chama a "coligação dos predispostos", que deverá implicar o envio de tropas europeias para a Ucrânia, sendo que Portugal, um dos países presentes na reunião de sábado, já admitiu o possível envio de tropas.
Londres disse, esta segunda-feira, que espera que “mais de 30 países" se juntem para formar uma coligação cujo propósito será ajudar a garantir uma paz duradoura na Ucrânia, está a avançar o Financial Times. O governo de Starmer admite, no entanto, que muitas das nações envolvidas não estão dispostas a colocar forças militares na região.
No espectro oposto estão Reino Unido, França e Austrália, que já manifestaram que estão disponíveis para enviar tropas de modo a garantir o cumprimento de um cessar-fogo na Ucrânia. Ainda assim, os três países alertam que qualquer solução para a paz só pode ser concretizada se os EUA fornecerem “apoio” militar. Dinamarca e Suécia também se mostraram disponíveis para ajudar de alguma para a formação de uma força de paz, incluindo com o envio de tropas.
Esta força multinacional poderá vir a contar com até 30 mil soldados, mas a generalidade dos especialistas em Defesa ouvidos pelo Financial Times tendem a defender que uma paz “duradoura” só poderá ser efetivada com o apoio aéreo dos EUA. Os responsáveis militares que devem vir a coordenar a coligação vão reunir-se nas imediações de Londres na quinta-feira para discutir os pormenores operacionais de toda a operação.
“Não se trata apenas de tropas”, explica o porta-voz de Starmer, realçando que “haveria uma força significativa com um número significativo de países”.
Um grupo maior de países da União Europeia, onde estão incluídos a Irlanda, o Luxemburgo e a Bélgica, não excluem a possibilidade de participar numa eventual força, dependendo das regras de empenhamento acordadas e da sua base jurídica.
Já os países que fazem fronteira com a Rússia, como Finlândia e Polónia, têm participado ativamente nestas discussões, mas sem se comprometerem a enviar soldados, argumentando que as suas tropas têm de permanecer no país de origem para defender o próprio território no caso de a Rússia utilizar um cessar-fogo para reposicionar forças.
O facto de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se ter recusado a oferecer apoio aéreo ou outro tipo de ajuda militar fez crescer as dúvidas sobre esta missão de manutenção da paz.
“Ninguém quer ver um pequeno número de tropas europeias, sem o apoio dos EUA, na linha de fogo na Ucrânia”, destacou um diplomata da União Europeia. “Isso colocaria uma enorme pressão sobre a unidade da NATO, caso algo acontecesse.”
No total, 26 países mantiveram conversações em Londres, no sábado. A maioria eram nações europeias, mas também estiveram presentes a Austrália, o Canadá e a Nova Zelândia. O Japão não participou na reunião, mas ofereceu “apoio”, tal como já explicou Starmer.
Kaja Kallas, representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, manterá conversações com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, David Lammy, e com o ministro da Defesa, John Healey, em Londres, esta terça-feira.