Reunião convocada por Macron deverá realizar-se em Paris, na segunda-feira, e pretende definir a posição da Europa no processo de paz na Ucrânia, num momento em que se ficou a saber que uma equipa de altos funcionários da administração Trump vai encontrar-se nos próximos dias na Arábia Saudita com representantes russos
Os líderes europeus vão reunir-se em Paris para uma cimeira de emergência sobre a guerra na Ucrânia. A cimeira informal de líderes europeus foi convocada por Emmanuel Macron, segundo disse o ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, Radoslaw Sikorski, num painel da Conferência de Segurança de Munique. “O presidente Trump tem um método de atuação, a que os russos chamam reconhecimento através da batalha. Pressiona e vê o que acontece, e depois muda de posição, de tática legítima. E nós precisamos de responder”, disse Sikorski.
Já o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que se trata de um “momento único para a nossa segurança nacional” e que é evidente que a Europa deve assumir um papel mais importante na NATO. O encontro - que ainda não foi confirmado oficialmente - deverá realizar-se na segunda-feira.
Esta reunião é uma reação às declarações do enviado especial de Trump para a Ucrânia, que disse que os líderes europeus serão consultados, mas não participarão em quaisquer conversações entre os EUA e a Rússia sobre o fim da guerra na Ucrânia. Keith Kellogg disse que as negociações anteriores falharam devido ao envolvimento de demasiadas partes. "É como giz no quadro negro, pode irritar um pouco, mas estou a dizer-vos algo que é realmente muito honesto”, disse Keith Kellogg, citado pela BBC News.
De acordo com várias fontes, altos funcionários da administração Trump vão reunir-se nos próximos dias na Arábia Saudita com altos funcionários russos para iniciar conversações destinadas a pôr fim à guerra na Ucrânia.
O conselheiro de segurança nacional Mike Waltz, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado para o Médio Oriente Steve Witkoff deverão encontrar-se com representantes russos, informa a CNN Internacional, que já tinha noticiado que o Kremlin está a reunir uma equipa de negociação de alto nível para iniciar conversações diretas com os EUA, incluindo figuras políticas, dos serviços secretos e económicos de alto nível, bem como Kirill Dmitriev, o funcionário russo que desempenhou um papel fundamental nos bastidores de um recente acordo de libertação de prisioneiros dos EUA.
O presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representante dos EUA, Michael McCaul, explicou que estas conversações têm como objetivo organizar uma reunião entre Trump, Putin e Zelensky “para finalmente trazer a paz e acabar com este conflito”. No seu “entendimento”, o presidente ucraniano Zelensky está convidado a participar.
Kellogg confirmou esta informação: "Os ucranianos estarão presentes, “é claro”, disse. "Seria uma tolice dizer que (a Ucrânia) não estivesse."
No entanto, Mykhailo Podolyak, conselheiro do Presidente Volodymyr Zelensky, negou que a Ucrânia vá participar na reunião: “Não há nada na mesa de negociações que valha a pena discutir”, disse Podolyak na televisão ucraniana, citado pelo Kiev Independent, acrescentando que "a Rússia não está pronta para negociações".
Marco Rubio, que aterrou em Israel este sábado, manteve um telefonema com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, no início do dia, no qual ambos manifestaram a vontade de cooperar em diversas matérias, entre as quais o estabelecimento da paz na Ucrânia. O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo caracterizou a conversa Lavrov-Rubio como "um compromisso mútuo para cooperar em questões internacionais actuais, incluindo a resolução da situação na Ucrânia", bem como a crise do Médio Oriente. Os dois concordaram em manter contactos regulares, incluindo a preparação de uma reunião russo-americana de alto nível - ou seja um encontro entre Trump e Putin.
