Os europeus marcam a sua posição antes da reunião entre Trump e Putin deixam claro o seu "compromisso inabalável com a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia"
"O caminho para a paz na ucrânia não pode ser decidido sem a Ucrânia", dizem os líderes europeus que divulgaram esta noite uma declaração de conjunta sobre a paz na Ucrânia que pretende marcar uma posição antes da reunião prevista entre o Trump e Putin, no próximo dia 15.
"Partilhamos a convicção de que uma solução diplomática deve proteger os interesses vitais da Ucrânia e da Europa em matéria de segurança", afirmam.
A declaração é assinada pelo presidente francês Emmanuel Macron, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o chanceler alemão Friedrich Merz, o primeiro-ministro polaco Donald Tusk, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen e o presidente finlandês Alexander Stubb.
We welcome President Trump’s efforts to stop the killing in Ukraine.
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) August 9, 2025
Diplomacy combined with continued pressure on Russia is how we will achieve a just and lasting peace.
One that respects Ukraine's sovereignty and the vital security interests of both Ukraine and Europe.
Os líderes europeus congratulam-se "com o trabalho do presidente Trump para pôr termo à matança na Ucrânia, acabar com a guerra de agressão da Rússia e alcançar uma paz e segurança justas e duradouras para a Ucrânia".
E afirmam-se disponíveis para "apoiar diplomaticamente este trabalho, bem como a manter o nosso apoio militar e financeiro substancial à Ucrânia, nomeadamente através do trabalho da Coligação de Vontades, e a manter e impor medidas restritivas contra a Federação da Rússia".
Mas estão "convencidos de que só uma abordagem que combine diplomacia ativa, apoio à Ucrânia e pressão sobre a federação russa para pôr termo à guerra pode ser bem sucedida".
"A Ucrânia tem a liberdade de escolher o seu próprio destino. As negociações significativas só podem ter lugar no contexto de um cessar-fogo ou de uma redução das hostilidades. O caminho para a paz na Ucrânia não pode ser decidido sem a Ucrânia. Continuamos empenhados no princípio de que as fronteiras internacionais não podem ser alteradas pela força. A atual linha de contacto deverá ser o ponto de partida das negociações", defendem.
Os líderes europeus voltam a condenar a invasão russa do território ucraniano e manifestam o seu "compromisso inabalável com a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia".
"Continuamos a manter-nos firmemente ao lado da Ucrânia. Estamos unidos como europeus e determinados a promover conjuntamente os nossos interesses. E continuaremos a cooperar estreitamente com o presidente Trump e com os Estados Unidos da América, bem como com o presidente Zelensky e o povo da Ucrânia, para uma paz na Ucrânia que proteja os nossos interesses vitais em matéria de segurança."
O que estará em cima da mesa no dia 15
O presidente da Rússia vai até ao Alasca sem se mover um centímetro daquilo que exige desde 2022. O plano, que Putin apresentou ao enviado estrangeiro do presidente dos EUA, Steve Witkoff, numa reunião em Moscovo na quarta-feira, exigiria que a Ucrânia cedesse a região oriental de Donbass — a maior parte da qual está atualmente ocupada pela Rússia —, bem como a Crimeia, que a Rússia anexou ilegalmente em 2014. O plano também congelaria as linhas de batalha atuais, mas outros detalhes da proposta ainda não estavam claros.
Mas o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky rejeitou a ideia de qualquer concessão territorial, afirmando que o seu país "não cederá território ao ocupante". Numa declaração publicada no Telegram, Zelensky diz que a integridade territorial da Ucrânia, consagrada na Constituição, deve ser inegociável e enfatiza que uma paz duradoura deve incluir a voz da Ucrânia na mesa de negociações. Também afirma que a Ucrânia "não dará à Rússia nenhuma recompensa pelo que fez" e que "os ucranianos não entregarão suas terras ao ocupante".
Abordando os temores ucranianos de que o encontro direto entre Putin e Trump, marcado para a próxima sexta-feira no Alasca, possa marginalizar Kiev e os interesses europeus, Zelensky adianta: "Quaisquer soluções que não envolvam a Ucrânia são, ao mesmo tempo, soluções contra a paz. Elas não trarão nada. São soluções mortas, nunca funcionarão."