Kremlin saúda decisão das "vozes da razão" contra o "grande golpe dos belicistas da UE"

Nuno Mandeiro , com Lusa
19 dez 2025, 09:49
Kirill Dmitriev (Getty)

Kirill Dmitrev defende que após a decisão do Conselho Europeu, Friedrich Merz e Ursula von der Leyen devem demitir-se

Kirill Dmitrev, um dos negociadores de Putin e responsável pelo Fundo Russo de Investimento Direto, foi o primeiro membro do Kremlin a reagir à decisão dos líderes da União Europeia (UE) em desistir da intenção de utilizar os ativos russos congelados para financiar a Ucrânia.

Moscovo aplaude a vitória das “vozes da razão da UE" contra o “grande golpe dos belicistas da UE" liderados pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

"As vozes da razão na UE bloquearam a utilização ILEGAL das reservas russas para financiar a Ucrânia", escreveu Dmitriev no X.

Dmitriev acrescenta que esta decisão consubstancia um "golpe fatal para Ursula, Merz, Starmer e outros belicistas: queimaram capital político ao forçar ações ilegais contra as reservas da Rússia - e FALHARAM". Para o representante do Kremlin, Merz e Von der Leyen só têm uma solução após a decisão dos líderes europeus: a demissão.

Em sentido contrário, Kirill Dmitriev congratula a decisão de Bélgica, Hungria, Chéquia e Eslováquia em "proteger o direito à propriedade".

Os líderes da União Europeia (UE) concordaram esta sexta-feira financiar a Ucrânia com 90 mil milhões de euros em 2026 e 2027 através da emissão de dívida com recursos do orçamento comunitário, deixando de lado, de momento, o plano inicial de recorrer a ativos russos congelados pelas sanções.

Embora o principal objetivo fosse garantir o empréstimo utilizando os recursos gerados pelo vencimento de ativos russos congelados, como defendia a Comissão Europeia, os líderes optaram, pela emissão de dívida comum.

A decisão ficou a dever-se, sobretudo, às objeções da Bélgica, país onde se encontra depositada a maior parte desses ativos, avaliados em 185 mil milhões de euros.

Em conferência de imprensa, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que vai ser concedido com urgência "um empréstimo garantido pelo orçamento da União Europeia", que "reserva o direito de utilizar ativos congelados para o pagamento do empréstimo.

De qualquer forma, os líderes instruíram a Comissão Europeia para continuar a trabalhar num "empréstimo de reparação" para Kiev "com base em ativos russos congelados".

O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, saudou a decisão de optar por um empréstimo garantido pela margem orçamental da UE para financiar a Ucrânia em 2026 e 2027 e reiterou que os ativos russos depositados no país vão "permanecer congelados".

A Rússia invadiu a Ucrânia em 2014 anexando a Península da Crimeia e lançou uma ofensiva de grande escala contra todo o território ucraniano em fevereiro de 2022. 

 

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