Kasparov diz que 2023 vai ser “o último ano do regime de Putin”

14 nov, 18:32
Kasparov no Porto [EPA/JOSE COELHO

Dissidente afirma que quem considera que o presidente russo é um “grande mestre” do xadrez geopolítico “está a interpretar mal as regras do jogo”

Garry Kasparov, um dos melhores jogadores de xadrez de todos os tempos e feroz crítico do governo russo, não tem dúvidas em afirmar que 2023 será “o último ano do regime de Putin”.

“[Guerra na Ucrânia] será a última guerra do império russo. A questão não é quem vem depois de Putin, mas o que vem depois dele. A ideia de império está esgotada. A vitória ucraniana, a libertação total do país, marcará o fim do regime de Putin. A bandeira ucraniana hasteada em Sebastopol será o início da libertação da Rússia do fascismo de Putin. Acredito que o próximo ano será o último ano do regime de Putin”, vaticinou Kasparov, em entrevista ao El Mundo.

Após a retirada de Kherson, numa altura cada vez mais de negociações entre o Kremlin e Kiev, o antigo jogador de xadrez afirma que esta é a oportunidade para se “ser duro com a Rússia”. Kasparov comentou, também, a obsessão do presidente russo com a Ucrânia.

“Putin, como qualquer ditador, cria a sua própria mitologia, e esta mitologia serve de base para a sua política externa agressiva. A Ucrânia foi sempre um alvo. É um país que está próximo da Rússia, metade ou mais do seu povo fala russo. E na mente de Putin era um alvo natural: a Ucrânia era fraca, corrupta e nunca a considerou um país real, exceto formalmente. Mas os ucranianos, ao contrário dos russos, foram capazes de eleger governos pacificamente”, sublinha.

Para o dissidente, quem considera que Putin é um “grande mestre” do xadrez geopolítico “está a interpretar mal as regras do jogo”.

“O que os ditadores fazem nada tem a ver com xadrez, que é um jogo aberto e transparente em que toda a informação está ao alcance. Se estamos a falar de jogos, eu diria que os ditadores jogam póker, escondendo as suas cartas perto do peito. E pode ganhar fazendo bluff. O xadrez é sobre ser criativo, os ditadores são oportunistas: colhem o que está ao seu alcance, sem perguntar mais nada. Aqueles que admiram Putin como um político simplesmente não compreendem as regras do jogo”, argumenta Kasparov.

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