Os mercenários

20 jan, 14:28

O grupo Wagner, o Kremlin e as operações no Donbass

Recrutados nos confins das cadeias russas, fileiras de mercenários irromperam na batalha, ao serviço da privatização da guerra e do perdão presidencial, inspirado na manutenção do Donbass desde 2014: a ocupação por procuração, é claro. A necessidade de recursos para estancar o ímpeto ucraniano depois das reconquistas no sul assim exigiu. A mobilização das tropas formais ainda leva o seu tempo, é certo.

Assim caiu Soledar, num amontoar de carne para canhão de ex-presidiários arregimentados pelo grupo Wagner, soldados da desfortuna lançados no terreno para quebrar linhas, convocados sob o pretexto da  “honra” de servir a pátria mas, na realidade, pagos com a recompensa de libertação. Muitos pagaram com a vida. 

A chefiar as operações num teatro de sangue, ferro e fogo, Prigozhin, velho conhecido de outros infernos na terra e que, talvez motivado pela riqueza mineral desta terra que chamuscou, talvez por ambições políticas maiores, declara a vitória, com bandeira da Wagner, em nome da Rússia. O Kremlin, escaldado pelo anúncio, não corrobora, volta a mexer no comando, sai Surovikin e entra Gerasimov, tenta-se reafirmar a autoridade do Ministério da Defesa. No descontrolo, mesmo os mais conhecedores da terra queimada também se queimam quando brincam com o fogo.

Só dias depois chega então o anúncio oficial de vitória da Rússia, agora focada em concluir os seus objectivos em Donetsk. Depois vem Lugansk. A legitimação formal da invasão para “proteger” o mundo russo. E os mercenários por lá, à solta.

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