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Major-general

17 de junho, o "Ocidente alargado" saiu fortalecido

17 jun, 12:00

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Federação Russa e homem de absoluta confiança do presidente Putin, Dmitry Medvedev, na sua mais recente narrativa “regurgitada” na rede social Twitter criticou esta quinta-feira a visita dos líderes das três maiores economias da União Europeia a Kiev, sugerindo que a respetiva viagem seria absolutamente inútil, uma vez que, e citando, “não aproximará a Ucrânia da paz”.

Não se ficando por aqui afirmou ainda, com desdém, de forma arrogante e imprópria que “os fãs europeus de coxas de rãs, salsichas de fígado e esparguete adoram visitar Kiev. Com zero utilidade”. Ainda ironizou escrevinhando que “prometeram à Ucrânia a adesão à União Europeia, obuses antiquados, além de beberricarem vodka e voltarem para casa de comboio, como há cem anos”. Encerrou este seu “post” dizendo que “tudo está bem, no entanto, isso não aproximará a Ucrânia da paz. O relógio está a contar”.

É óbvio que estas declarações de Medvedev, em jeito de ameaça velada, foram cuidadosamente coordenadas com o “Czar em exercício”, Vladimir Putin.

Bom, a leste nada de novo. No domínio da guerra informacional e psicológica não existem acasos ou simples coincidências!

As semelhanças da realidade que estamos a viver com os acontecimentos de 1919 a 1938, período da dissolução do Império Alemão, parecem óbvias. Nesta época, mais de três milhões de germanófilos viviam na parte checa (Sudetas) do então recém-criado Estado da Checoslováquia.

Na sequência das reivindicações territoriais e expansionistas da Alemanha sobre esta região, e no sentido de para elas encontrar uma solução pacífica negociada, foi organizada a Conferência de Munique. Este episódio da história universal talvez seja aquele que melhor ilustra o verdadeiro significado da "política de apaziguamento" e quão perigosa esta pode ser quando se trata de pôr travão a políticas expansionistas ou imperialistas.

Segundo reza a história, em cerca de uma hora e meia foi alcançado um acordo. Adolf Hitler, Neville Chamberlain, Édouard Daladier e Benito Mussolini foram os políticos que o assinaram.

O acerto concedia à Alemanha o domínio efetivo sobre os Sudetas e o controlo do território da Checoslováquia, desde que Hitler se comprometesse que esta seria a sua derradeira exigência expansionista.

Chamberlain produziria o famoso discurso “paz para o nosso tempo”, acenando com uma cópia do acordo para uma multidão em êxtase. Winston Churchill disse sobre Chamberlain quanto a este acordo: "Entre a desonra e a guerra escolheste a desonra e terás a guerra".

De facto, a 10 de março de 1939, Hitler, desrespeitando o tratado, ordenava a invasão do resto da Checoslováquia e dava origem à Segunda Grande Guerra Mundial.

As semelhanças dos acontecimentos de finais de setembro de 1938 e o conflito na Ucrânia são muitas. O plano de paz proposto por Mario Draghi nas Nações Unidas, as declarações de Macron a propósito da necessidade de salvar a face a Putin, negociando possíveis cedências territoriais, bem como as conhecidas indecisões do chanceler Scholz, indiciavam que poderíamos estar num momento decisivo e preocupante quanto ao futuro não apenas da Ucrânia, mas também da Europa como um todo.

Felizmente as vozes das opiniões públicas das maiores economias da União Europeia foram ouvidas e ao que parece bem interpretadas pelos respetivos líderes. No final do dia foram dadas garantias de apoio à Ucrânia no seu desejo de ser aceite como candidato a membro da União Europeia. Foi também reafirmado o apoio militar incondicional à Ucrânia para que a força do direito, a liberdade e a democracia tenham um pouco mais do que uma mera “chance” de triunfar nas planícies da Ucrânia.

Pese embora todos os esforços da propaganda russa no sentido de criar fissuras e controvérsias insanáveis no seio da União Europeia e da própria relação transatlântica, as lições da história foram tidas em conta e o dito “ocidente alargado” saiu mais uma vez fortalecido.

Em síntese, desta vez a racionalidade parece ter prevalecido sobre a ficção. Fica a fundada esperança de menos promessas e mais ações no que toca ao apoio em equipamento militar de que a Ucrânia tanto necessita e que realmente faça a diferença.

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