Alexander Sollfrank diz que há três fatores decisivos para Vladimir Putin avançar já com uma guerra, que em 2029 se pode tornar geral
A Rússia tem a capacidade para realizar um ataque a território da NATO já no imediato, mas a resposta dos aliados não parece estar totalmente coordenada.
O aviso vem do topo da cadeia militar da Alemanha, um dos países que mais tem alertado para a real possibilidade de a invasão da Ucrânia ser apenas um teste a algo maior.
Em declarações à agência Reuters, o tenente-general Alexander Sollfrank afirmou que Moscovo já está pronto para iniciar um ataque, caso queira fazê-lo. “Se olharmos as atuais capacidades e o poder de combate, a Rússia pode desencadear um ataque de pequena escala contra a NATO tão cedo como amanhã”, afirmou.
“Pequeno, rápido, limitado regionalmente, nada grande - a Rússia está muito amarrada na Ucrânia para isso”, acrescentou o homem que lidera o comando das operações conjuntas e é um dos supervisores dos planos de defesa da Alemanha, e que sublinhou que a ameaça, ainda que pequena, existe mesmo.
Sobre um eventual ataque em larga escala, Alexander Sollfrank referiu que a Rússia deverá ter capacidade para tal em 2029, sobretudo se mantiver a sua capacidade de produção de armamento.
E se é certo que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, continua a negar quaisquer intenções de uma guerra em maior escala, o militar alemão também quer que se saiba que essa é uma possibilidade real.
Numa conversa a partir da sua base no norte de Berlim, Alexander Sollfrank apontou especialmente à grande capacidade de combate da Força Aérea da Rússia, lembrando que o seu arsenal de mísseis e de armas nucleares continua intacto.
E se a frota do Mar Negro também tem sofrido grandes perdas, o tenente-general avisou que o mesmo não aconteceu noutros sítios. “As forças terrestres estão a sofrer perdas, mas a Rússia disse que quer aumentar o total de soldados para 1,5 milhões”, lembrou.
“E a Rússia tem carros de combate suficientes para fazer um ataque limitado tão cedo como amanhã”, acrescentou, sem concretizar se os aliados têm conhecimento de qualquer planeamento nesse sentido.
Um histórico na liderança militar da Alemanha, Alexander Sollfrank foi um dos que impulsionou o fim da lei constitucional que impedia um maior investimento em Defesa, o que agora permite gastos que podem ajudar a atingir os 3,5% de Orçamento do Estado até 2029, no que deverá significar um aumento de 100 para 160 mil milhões de euros no espaço de quatro anos.
É com esse dinheiro que a Alemanha espera fazer expandir as suas Forças Armadas de 60 mil para 260 mil soldados em pouco tempo.
De volta à possibilidade de um ataque russo, Alexander Sollfrank sublinhou que há três fatores decisivos para que isso aconteça: a força militar da Rússia, um acompanhamento militar forte e a liderança.
“Estes três fatores levaram-me a concluir que um ataque russo é possível. Se vai acontecer ou não depende em grande parte do nosso próprio comportamento”, afirmou.
Até lá, alertou também o tenente-general, operações como as incursões de drones devem ser vistas como elementos ligados a uma estratégia que também inclui a guerra na Ucrânia.
“Os russos chamam a isto guerra não-linear. Na doutrina deles, isto é guerra antes das armas convencionais. E estão a ameaçar usar armas nucleares – que é guerra por intimidação”, completou, avisando que tudo faz parte de uma grande provocação.