Ilegalização do PCP? Costa diz que isso é "inconcebível"

Agência Lusa
4 mai, 14:23
António Costa, secretário-geral do PS, fala aos jornalistas

Primeiro-ministro reconhece a "profunda divergência" com os comunistas sobre a guerra da Ucrânia, mas lembra o "contributo importante" do partido para a democracia portuguesa

O primeiro-ministro considerou “inconcebível” a ideia de ilegalização do PCP por suposto apoio à Rússia, sendo contra a criação de “um clima de caça às bruxas” em Portugal.

Estas posições foram transmitidas por António Costa, esta terça-feira, em São Bento, numa conferência de imprensa, depois de confrontado com a posição do presidente da Associação de Refugiados Ucranianos em Portugal.

O chefe do executivo repudiou essa perspetiva e começou por observar que Portugal, no plano diplomático, “tem uma postura inequívoca de apoio à Ucrânia e de condenação absoluta da atividade da Rússia”.

“Apoiamos a investigação de crimes de guerra cometidos pela Rússia, mas a nós também nos cabe defender a democracia e a liberdade na nossa terra. Obviamente, não entraremos em Portugal num clima de caça às bruxas e respeitamos o pluralismo próprio que resulta da vontade livre dos cidadãos portugueses de escolherem os partidos em que votam”, respondeu o primeiro-ministro.

Perante os jornalistas, António Costa apontou que “é claro para todos a profunda divergência que o Governo mantém com a posição que o PCP tem afirmado relativamente ao conflito da Ucrânia”.

“Mas da divergência política com o PCP passar para a ilegalização do PCP, é algo absolutamente inconcebível num Estado de Direito democrático, num regime democrático consolidado, onde o PCP deu um contributo importante para que este regime de democracia exista”, sublinhou.

O primeiro-ministro foi ainda mais longe na sua posição, frisando que “faz parte de uma democracia que os partidos políticos tenham liberdade para fixarem as suas próprias posições”. “Posições das quais divergimos, mas que temos de respeitar no quadro da democracia”, acrescentou.

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