"Idiotas destreinados". As críticas aos comandantes russos e o que já se sabe sobre o ataque ucraniano a Makiivka

3 jan, 13:43

Foram divulgadas imagens de satélite do antes e depois do ataque. A dimensão da área destruída mostra, dizem especialistas e comentadores pró-russos, que o número de mortos tem de ser muito superior ao que foi oficialmente divulgado pelo Ministério da Defesa da Rússia

Três dias depois do alegado ataque em Makiivka, no Oblast de Donetsk, são muito poucas as informações, pelo menos oficiais, sobre o que realmente aconteceu nesta cidade controlada pelos russos. As tropas de Kiev dizem que mataram centenas de militares do inimigo: "O Pai Natal embrulhou cerca de 400 cadáveres em sacos", lia-se num comunicado do departamento de comunicações estratégicas das Forças Armadas da Ucrânia, no domingo. Por sua vez, o Ministério da Defesa da Rússia desmentiu este número, segunda-feira, em comunicado, garantido que foram registadas 63 vítimas mortais.

Entretanto, a Associated Press divulgou duas imagens de satélite da empresa norte-americana Planet Labs PBC do antes e do depois do ataque à escola profissional que servia, alegadamente, como quartel das tropas de Moscovo. O Ministério da Defesa russo disse tratar-se de um "alojamento temporário".

Na passagem de uma fotografia para a outra é bem visível a área destruída pelos supostos 25 rockets lançados - com recurso ao sistema de mísseis norte-americanos HIMARS - durante a noite da passagem de ano.

O líder da República Popular de Donetsk (DPR), Denis Pushilin, garantiu que a defesa anti-aérea tinha abatido grande parte dos rockets. "O nosso sistema de defesa aérea estava a trabalhar ativamente. Caso contrário, teria havido muito mais ataques. O trabalho bem coordenado não permitiu que o inimigo realizasse esses ataques com impunidade", disse.

O Estado-Maior-General das Forças Armadas da Ucrânia revelou, num comunicado divulgado segunda-feira à noite, ter "destruído ou danificado pelo menos dez unidades de equipamento militar de vários tipos". Quanto às perdas humanas do lado do inimigo, "ainda estão a ser contabilizadas". 

As críticas do lado russo

Voltando às imagens do antes e do depois do ataque, e dada a dimensão da região atingida, é muito provável, dizem os especialistas, bloggers e comentadores pró-russos, que o número de mortos seja muito superior ao que foi oficialmente divulgado pelo Ministério da Defesa de Moscovo. 

"O que aconteceu em Makiivka é horrível", escreveu no Telegram Arcanjo Spetznaz Z, um blogger militar russo com mais de 700.000 seguidores. Mas vai mais longe: "Quem é que teve a ideia de colocar um grande número de pessoas num único edifício, onde até um imbecil percebe que mesmo que fossem atingidos com artilharia, haveria imensos feridos e mortos?". Os comandantes "não querem saber das munições armazenadas em total desordem no campo de batalha (...) cada erro tem um nome", acrescentou. 

Outros especialistas e comentadores pró-invasão criticaram o facto de estarem a ser usadas infraestruturas civis para abrigar militares. "Alojar pessoal em prédios em vez de abrigos ajuda diretamente o inimigo. É preciso retirar conclusões difíceis sobre aquilo que aconteceu em Makiivka", defendeu Andrey Medvedev, vice-presidente da Duma (parlamento) da cidade de Moscovo e jornalista pró-Kremlin. 

Há mesmo quem diga que as tropas russas no campo de batalha estão a ser comandadas por "idiotas destreinados" e que os culpados pela decisão "têm de ser punidos". 

O próprio Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês) reconheceu, no mais recente relatório, que o ataque ucraniano gerou "críticas significativas à liderança militar russa" e que existe um passa culpas para tentar imputar a responsabilidade "para os funcionários e forças mobilizadas na República Popular de Donetsk". 

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