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"A Federação Russa é um sapo numa panela" que a Europa "está a aquecer" - e está a fazê-lo "de forma inteligente"

15 jul, 23:23
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Comentador da CNN Portugal analisa o novo escudo balístico antimíssil que vem transformar a defesa europeia, munindo os aliados de um "sistema completo para enfrentar todo o tipo de ameaças"

A guerra na Ucrânia já caminha para o seu quinto ano e no entretanto a Europa ganhou um adversário “estrutural, de médio-longo prazo”, que deixou de ser “temporário”.

Na análise do almirante Henrique Gouveia e Melo, feita no seu espaço de comentário habitual “Entre 2 Mundos”, a Federação Russa é “um sapo que está a aquecer numa panela de água e que ainda não percebeu que está a ser cozido”, neste caso pelos aliados.

“Se aquecermos muito rápido, o sapo pode reagir, e é isso que a Europa e os Estados Unidos, de forma inteligente, têm feito em termos do que é a sua grande estratégia”, continua o comentador da CNN Portugal. “Vão empurrando os limites da federação até que ela sinta que tem de se sentar à mesa de negociações”, sublinha.

O novo projeto Freyja, agora conhecido como o escudo balístico antimíssil da Europa, é prova disso, configurando uma “mudança significativa” na defesa europeia.

A coligação antibalística pretende “desenvolver sistemas de defesa antiaérea com preços mais razoáveis do que os americanos e com um sistema completo para todo o tipo de ameaças”, munindo a Europa de uma maior independência, salienta Gouveia e Melo.

Este clube balístico é a prova, diz, de que um dos maiores objetivos do presidente russo, Vladimir Putin, desde o início da invasão está “completamente destruído”: “Não só não dividiu a NATO, que cresceu com dois países que eram neutros, como, neste momento, a aliança está a assumir que, mais tarde ou mais cedo, a Ucrânia vai fazer parte dela.”

Para o comentador da CNN Portugal a coligação constitui uma decisão previsível da Europa, tendo em conta que o exército ucraniano tem, atualmente, as maiores forças e com mais experiência do continente.

Ormuz pode "mudar completamente" a ordem internacional

No Médio Oriente, a ordem internacional tal como a conhecemos pode estar prestes a mudar, avisa Gouveia e Melo que alerta para a abertura de um precedente inédito. Face ao poder exercido pelo Irão sobre Ormuz, o comentador da CNN Portugal imagina um futuro no qual os países costeiros se apoderam dos estreitos.

“Se isso acontecer, a ordem internacional muda completamente”, sublinha, admitindo a possibilidade de eventualmente a aliança ocidental empenhar esforços para “garantir a passagem dos estreitos, porque isso é garantir a vantagem ocidental no comércio marítimo internacional”.

De resto, o Irão tem conseguido, “com poucos recursos”, causar “grandes perturbações e efeitos extraordinários”, sem precisar de interromper constantemente o tráfego no Estreito de Ormuz. “Basta fazer três, quatro ou cinco ataques com sucesso que depois a parte psicológica faz o resto”, observa.

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