Terão sido mobilizados mais de 11 mil norte-coreanos para a linha da frente. Kiev espera que outros quatro mil se possam juntar
Os primeiros confrontos entre soldados ucranianos e norte-coreanos tiveram lugar esta segunda-feira em Kursk, na Rússia, a cerca de 60 quilómetros da fronteira com a Ucrânia.
A confirmação foi dada pelo ministro da Defesa ucraniano, Rustem Umerov, numa entrevista dada a um canal de televisão sul-coreano. Por agora, os confrontos são de pequena escala.
“Temos identificado confrontos com as forças norte-coreanas, mas acreditamos que haverá mais combates nas próximas semanas. Vamos continuar a analisar e adaptarmos consoante evolua a situação”, afirmou Umerov.
O mesmo cenário também já tinha sido adiantado por Andriy Kovalenko, diretor do Centro Ucraniano de Combate à Desinformação: “As primeiras unidades militares da República Popular Democrática da Coreia já foram atacadas em Kursk.”
Os soldados norte-coreanos, que estão misturados com os russos, são descritos como “buryats”, palavra usada para referir um grupo de asiáticos dentro das fronteiras russas.
Para Kursk terão sido mobilizados 11 mil militares da Coreia do Norte. Além disto, existem também militares de Pyongyang em treinos no leste da Rússia.
Kiev espera que cinco unidades de três mil homens sejam posicionadas ao longo da linha da frente, com uma extensão de 1500 quilómetros. Assim, o número total de norte-coreanos envolvidos no conflito deverá elevar-se para os 15 mil.
Estes confrontos marcam a primeira intervenção de um exército estrangeiro desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022. E alarga a dimensão daquele que já era o maior conflito em território europeu desde a Segunda Guerra Mundial.
Ainda assim, a efetividade deste reforço norte-coreano tem sido questionada, uma vez que no terreno estarão homens jovens, a maioria na casa dos 20 anos, com pouca experiência. A imprensa internacional destaca ainda a sua vulnerabilidade a doenças bem como o seu desconhecimento do terreno em que agora batalham, uma vez que foram treinados nas montanhas da Coreia do Norte e se movem agora em território plano e amplo.
Em Kiev, o ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha reuniu-se na segunda-feira com a homóloga alemã Annalena Baerbock, defendendo a “necessidade de uma ação decisiva” a nível europeu perante o envolvimento da Coreia do Norte no conflito.
