Enviaram um email a partir do qual passariam a conseguir a aceder a todo o conteúdo partilhado naquela rede social
Um grupo de hackers ligados ao Estado russo atacou uma série de contas da rede social Whatsapp de vários ministros e responsáveis governamentais em todo o mundo, enviando emails a convidar as vítimas para se juntarem a grupos naquela plataforma.
De acordo com o jornal The Guardian, este foi um ataque levado a cabo por um grupo chamado Star Blizzard, uma organização que o Centro Nacional de Cibersegurança do Reino Unido já ligou ao Serviço Federal de Segurança da Rússia, que lidera os serviços secretos de Moscovo.
Aquele organismo britânico acusa o grupo de hackers de procurar “minar a confiança política no Reino Unido e em Estados de ideologias semelhantes”.
De acordo com um blogue da Microsoft, as vítimas receberam um email de um hacker que fingia ser um responsável do governo dos Estados Unidos, e que incentivava o recetor da mensagem a entrar num QR Code que acabaria por fazer com que o hacker desse acesso à conta da pessoa atacada.
Esse código, em vez de dar acesso a um grupo de Whatsapp, acabava por conectar a conta da pessoa atacada a um outro aparelho, a partir do qual os hackers conseguiriam aceder ao conteúdo.
“Os atacantes podem conseguir acesso às mensagens das contas de Whatsapp e ter capacidade para extrair dados dessa conta”, frisa a Microsoft, alertando para os perigos deste esquema.
Apesar dos avisos, a Microsoft não adiantou se o ataque tinha sido bem-sucedido. A CNN Portugal contactou o Governo no sentido de saber se os serviços do Estado foram, de alguma forma, afetados, mas não obteve resposta até ao momento.
No email enviado, o atacante incentivava as vítimas a aderirem a grupos com as “mais recentes iniciativas governamentais direcionadas a apoiar a Ucrânia”. Além de ter sido direcionado a ministros e a outros responsáveis de vários países, a campanha também tentou alcançar pessoas envolvidas na diplomacia.
O grupo Star Blizzard já estava debaixo de olho no Reino Unido, onde em 2023 atacou vários deputados, universidades e jornalistas, numa tentativa de “interferir na política e democracia do Reino Unido”.
As autoridades britânicas descrevem a organização como “quase de certeza que subordinada” aos serviços secretos da Rússia, em concreto à Unidade 18 do Serviço Federal de Segurança.
Perante este tipo de ataques, a Microsoft recomenda que os utilizadores de email que tenham sido alvo deste esquema devem continuar vigilantes, nomeadamente na altura de lidar com correio eletrónico.
“Em caso de dúvida, contactem a pessoa que pensam que está a enviar o email”, refere a empresa.
