Há uma nova frente na guerra da Ucrânia: local central de 2022 volta a ser foco de tensão e até há acusações de terrorismo

14 jul, 18:42
Batalhão Azov durante funeral de combatente (Evgeniy Maloletka/AP)
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O Mar de Azov tem sido palco de várias explosões nos últimos dias, com a Ucrânia a diversificar a sua capacidade de atingir a Rússia

Foi um dos principais pontos da guerra logo no início de tudo, mas caiu para segundo plano com os avanços da Rússia e a queda de cidades como Mariupol. Agora, o Mar de Azov volta a estar no centro das operações, com Moscovo a acusar Kiev de terrorismo por uma onda recente de ataques aos navios que lá estão estacionados.

A Ucrânia atingiu pelo menos 11 navios russos com os seus drones durante a última noite, de acordo com um comandante das forças de veículos não-tripulados de Kiev.

Robert Brovdi indicou que entre os alvos atingidos estão cinco petroleiros, cinco navios de carga seca e um rebocador, o que eleva o número de embarcações atingidas nos últimos nove dias para 116, de acordo com as contas da Ucrânia.

Embora o relatório ucraniano não indique ataques a navios de transporte de cereais, fontes da indústria citadas pela agência Reuters revelaram que algumas embarcações desse género foram atingidas no início desta semana, sendo que algumas delas se incendiaram.

“Eles [os navios] estão lá como alvos perante um esquadrão de fuzilamento. Num par de dias nenhum navio ficou intacto no Mar de Azov, apenas navios danificados”, indicou uma das fontes.

Tentando aproveitar o facto de também navios civis terem sido atingidos, a Rússia deu um passo à frente e acusou o inimigo de terrorismo. “O que o regime ucraniano está a fazer vai para lá da pirataria. Os piratas, pelo menos, saqueiam e ficam os despojos para si”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

“Mas aqui, isto não os beneficia a eles nem a ninguém - o objetivo é simplesmente causar danos e intimidar. É terrorismo, pura e simplesmente”, acrescentou Sergei Lavrov.

Tentando justificar as operações no Mar de Azov, um responsável do exército da Ucrânia garantiu que as Forças Armadas de Kiev só atacam alvos militares ou alvos que contribuem para o fortalecimento da capacidade de combate da Rússia.

“As cargas civis não estão entre eles. Ao falar em ataques a navios civis, a Rússia procura um pretexto para justificar os ataques cínicos às infraestruturas civis ucranianas”, reiterou este responsável à agência Reuters.

E se há ataques de um lado, também do outro se nota um aumento da atividade militar. Os portos ucranianos no Mar Negro, nomeadamente na região de Odessa, continuam debaixo de fogo, o que está a provocar uma descida nas exportações de cereais a partir daquela zona.

Voltando ao Mar de Azov, a Rússia mantém várias restrições nos seus portos localizados no estuário do rio Don, relevante para os mais variados tipos de exportação de bens.

O objetivo da Ucrânia parece ser a diversificação dos ataques, mas também roubar a posição de força da Rússia no Mar Negro. Está aberta uma nova frente na guerra.

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